Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 22/12/2018
Tenebrosa Escassez
Na obra “O Quinze”, da escritora Rachel de Queiroz, é retratado a vida sofrida dos sertanejos perante à seca de 1915 no Nordeste. Entretanto, na contemporaneidade, mesmo com os avanços tecnológicos, a crise hídrica persiste em várias regiões e se mostra grave problema público à nação. Com efeito, o combate a essa problemática pressupõe cuidadosa análise acerca da destinação incoerente dos recursos hídricos e da ineficiência estatal.
Em primeiro plano, uma das causas cruciais da falta de água à população é a desigual distribuição desse recurso natural. Nesse viés, o Brasil é o país que contém grande parte do aquífero guarani – um dos maiores do mundo. Contudo, ocorre que substancial parcela da água dos reservatórios é destinada às grandes plantações de monocultura, a exemplo o cultivo de melão em grande escala no município de Mossoró/RN. Logo, enquanto os recursos hídricos forem repartidos de forma injusta, a população sofrerá com a “escassez”.
Por outro lado, as estratégias governamentais em acabar com a seca são, de forma geral, ineficientes. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Instituição Zumbi”, que relacionado ao Estado o define como algo existente, porém que não cumpre sua função social. Nesse sentido, a tentativa de realizar a transposição do rio São Francisco vai de encontro à ideia de Bauman, uma vez que a obra se encontra parada. Com isso, evidencia-se a incoerência brasileira na busca pelo desenvolvimento enquanto mantém suas ações estagnadas.
Impende, pois, que a situação mostrada por Rachel de Queiroz seja erradicada na vida dos brasileiros. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente deve realizar uma reforma na distribuição dos recursos hídricos, de modo que a população seja a prioridade no recebimento desse bem natural, por meio da proibição do uso excessivo de água pelos produtores de monoculturas. Os indivíduos, por sua vez, devem expor sua indignação quanto à lentidão estatal em relação às obras por intermédio das mídias sociais, para que deixe de ser comum ao cidadão brasileiro a tenebrosa escassez.