Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 02/01/2019
O pensamento errôneo de recursos hídricos ilimitados e mito da perenidade serão a ruína do atual cenário Brasileiro. Embora o Brasil detenha importante percentual de água disponível para as atividades humanas, esta regalia não foi capaz de evitar a atual “ crise hídrica” marcada pela escassez de água e piora da qualidade de vida da população. O desbalanço econômico, social, político e ambiental da atual emergência hídrica tem consequências alarmantes, e como tal, exige uma revisão e atuação sistêmica por parte do governo e da comunidade.
Segundo a Agencia Nacional das Águas, o país detém 13% da água doce do planeta. Em teoria, este percentual seria suficiente para as atividades humanas de produção e consumo. Todavia, o desperdício de águas aliado a falta de saneamento básico, degradação ambiental, urbanização crescente e a distribuição desigual de águas colocaram o Brasil no atual contexto de escassez de água. Reitera-se, também, que essa situação de carência leva a problemas ócio-econômicos importantes, como a mercantilização da água, crise energética e escassez alimentar ao atraso industrial e urbano. Além disso, obriga a população a recorrer a fontes não confiáveis de água que levam a internamentos hospitalares.
Numa outra vertente é senso comum que a deterioração dos ecossistemas tem papel indiscutível na atual crise global de água. Eventos como o assoreamento, eutrofização, desmatamento e poluição são causas determinantes, e como resposta, ocorrem extremos hidrológicos, sejam secas ou inundações. De modo semelhante, o ciclo hidrológico é alterado e a pluviosidade diminui levando a escassez atual. Ressalta-se que esses eventos são causados pela irrfreável atividade antrópica que ocorre extensivamente e sem punições legais.
Logo, a atual emergência hídrica exige atuações sistêmicas para seu equacionamento. De início, o governo deve instituir e rever políticas intersetoriais (indústria, a urbanização, o ambiente, o solo, eletricidade) para adequar estratégias de desenvolvimento com sustentabilidade e proteção à água, bem como, desenvolver campanhas de enfoque contra o desperdício e poluição. Ademais, o setor industrial e a agricultura precisam desenvolver tecnologias de reuso de água para suas atividades. Faz-se fundamental, também, a fiscalização dos leitos dos rios, mananciais e lagos quanto a poluição, assim como, ações punitivas de maior impacto. À escola deve desenvolver palestras, oficinas e um maior enfoque na grade curricular sobre desperdício e poluição aquática. Finalmente, uma cooperação internacional de bacias hidrográficas é viável e de impacto mundial na preservação dos ecossistemas.