Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 09/04/2019
O livro “vidas secas” do escritor Graciliano Ramos, descreve a peregrinação de Fabiano e sua família em meio a seca do sertão nordestino, em busca de um local fértil, para que conseguissem sobreviver às condições do semiárido. Nesse sentido, a história se torna verossímil à realidade de muitos brasileiros que não possuem acesso a água, seja pelo monopólio das indústrias, seja pelo desperdício da sociedade. Assim, essa situação constitui um grave problema social no século XXI.
Nesse contexto, é possível analisar que os recursos hídricos abundantes no Brasil são monopolizados pelos grandes polos industriais e donos de terra. Concomitante a isso, o jornalista Antônio Callado nomeou, nos anos 1960, essa grande organização de “Indústria da Seca”: termo que se refere aos proprietários de estruturas fundiárias, principalmente no interior da região nordeste, os quais detém de instrumentos para utilizar a água disponível na região com a finalidade de disponibilizar à produção de gado e plantações. Desse modo, o contato da população com esse recurso é dificultado e gera problemas de caráter básico para as pessoas que vivem nesses locais, uma vez que a água é necessária para a alimentação e higiene, condições comuns à manutenção da vida.
Além disso, o consumo excessivo de água pela população privilegiada interfere no ciclo natural hidrológico e restringe o alcance das camadas mais populares. Nesse sentido, segundo a Organização das Nações Unidas, o ideal de consumo diário por habitante no mundo é de 110 litros, contudo, os brasileiros utilizam em média 163 litros por dia, ou seja, 51% acima do recomendado. Logo, o uso da água é irresponsável, e o desperdício torna-se constante no modo com os cidadãos realizam os afazeres domésticos, como deixar a bica aberta durante a lavagem da louça, ou em um banho demorado. Assim, parte da sociedade usufrui desse recurso sem se responsabilizar e se preocupar com o gasto abusivo dele e da desigualdade de distribuição entre as áreas mais pobres e que sofrem com a seca no Brasil.
Infere-se, portanto, que a concentração de poder na mãos de poucos e o uso abundante de água influenciam na escassez desse recurso no país. É imprescindível a atuação do governo federal, em fiscalizar a distribuição de água filtrada para todos os cidadãos, inclusive os que vivem em condições de seca e pobreza, através da contratação de agentes públicos que visitem as áreas mais afetadas de dificuldade de acesso a água, para que todos tenham a mesma oportunidade de utilizar a riqueza natural do Brasil. Ademais, a própria sociedade deve, por meio de debates e discussões coletivas, alertar sobre o perigo do uso excessivo da água existente, com o objetivo de garantir esse bem para as próximas gerações e, assim, evitar os episódios constantes de Fabianos no Brasil.