Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 24/02/2019

Ao ponderar sobre a escassez hídrica, é comum, na psique da classe média e alta brasileira, pensar em um futuro distante e nas atuais formas de economia, como lavar a mão, não demorar muito no chuveiro etc. Entretanto, a falta d’água potável já é um problema de grande escala, assassinando cidadãos através de doenças epidêmicas que não são evitadas por conta de uma ineficiência estatal para com as populações mais carentes do país.

O Ranking do Saneamento de 2017, do Instituto Trata Brasil, aponta que Ananindeua, Pará, é o município de menor atendimento de água, com 28.81%, sendo também o pior do Brasil em quesito de tratamento da água consumida. Não coincidentemente, sua região é a maior portadora de fatais doenças extremamente neglicenciadas, de acordo com o Ministério da Saúde. Essas infecções, conforme dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estão todas relacionadas a má hábitos higiênicos e contaminação d’água, e receberam o título de extremamente neglicenciadas por não serem alvo de pesquisa do mercado internacional farmacêutico, como a Oncocercose, tendo, então, nenhum ou pouco tratamento e consequentemente, um alto índice de fatalidade.

Em distonia com tal cenário, é notório um desconhecimento desta crise epidemiológica e hídrica nas outras regiões do país, como pode ser observado no fato de pouco ou nenhum reconhecimento foi feito aos 110 anos de descoberta a doença de Chagas nesse ano. Essa ignorância é perigosa, podendo possibilitar mais facilmente uma crescente inter-regional destas epidemias, pois, apesar das altas colocações no ranking mencionado, nenhum estado do país tem índices perfeitas de saneamento, tendo assim, pessoas consumindo água contaminada no Brasil todo.

Dado o exposto, é necessário que o Estado invista mais em saneamento básico, buscando um menor consumo de água contaminada para interromper o ciclo das doenças mencionadas. Para isso, recomenda-se também programas de informação, pelo Ministério da Saúde, para as classes sociais menos privilégiadas, apontando os riscos do consumo de água não tratada adequadamente e ensinando formas de tratar água. Só assim, acabara a neglicencia, tanto no sentido das doenças “esquecidas” como a neglicencia do Estado perante essa crise hídrica.