Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 26/02/2019
Na obra Vidas Secas de Graciliano Ramos, é retratada a miséria, a vegetação quase inexistente e a escassez de água que vivem os retirantes nordestinos. Hodiernamente, o romance regionalista, assemelha-se a crise hídrica brasileira e os impactos gerados pelo consumo exacerbado de água. Nesse contexto, é essencial analisar como a vida moderna contribui para essa crise hidrográfica, bem como as consequências desse desperdício.
Primordialmente, cabe considerar o vigente sistema capitalista como grande contribuinte do consumo demasiado de água, principalmente na agropecuária que, segundo a Organização das Nações Unidas de Agricultura e Alimentação (FAO), essa atividade é responsável por consumir 70% da água potável, seguida pela indústria, com 22% , e o uso doméstico, com 8%. A sociedade atual é marcada pelo desperdício, que no âmbito hídrico brasileiro é impulsionada pela sensação de água infinita.
Por conseguinte, nota-se que, o desvelo governamental e o descaso da população dimensionam a problemática. A Amazônia é uma importante reguladora do regime pluvial, de modo que o desmatamento contribui para a escassez de chuvas. O governo, por sua vez não investe em obras hídricas, que são cruciais com o aumento populacional. A poluição ambiental, como agrotóxicos, resíduos industriais e esgoto doméstico lançados nos rios e mananciais, geram, conforme o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), a falta de acesso a água tratada a 1,1 bilhão de pessoas no mundo.
Portanto, é mister que o governo tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população, urge que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas incentivando a sustentabilidade e que o governo invista em obras hídricas e de reaproveitamento de água, tanto em atividades residenciais, como industriais, gerando assim um consumo consciente. Desse modo, a realidade distanciar-se-a da narrativa de Graciliano Ramos.