Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 13/10/2019

“Tinham deixado os caminhos cheios de espinhos e seixos, fazia horas que pisavam a margem do rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés”. Com efeito, infelizmente, o cenário nefasto da seca representado na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, parece assolar novamente o século XXI, já que se tornaram preocupantes os impactos da escassez da aguá. Nesse contexto, subterfúgios são essenciais à mitigação de aspectos que corroboram o empecilho, como a negligencia estatal e a falta da consciência sustentável por parte da população.

Nessa perspectiva, é incontroverso que a fragilidade do estado em relação à preservação e distribuição hídrica reflete o panorama da escassez da água. Nesse ínterim, segundo o sociólogo Esteban de Castro, a crise de insustentabilidade da água não é gerada por condições físico-naturais, mas de caráter sociopolítico. Sob esse viés, é fato que o Estado não promove o devido investimento em processos que auxiliem o tratamento e a reutilização da água, além da postura trivial do governo no que se refere à obra de transposição, como a do Rio São Francisco. Por conseguinte, essa conjuntura desalinhada da escassez hídrica promove impactos devastantes, como a morte de animais, carência de higiene pessoal e, por fim, morte de pessoas, principalmente em regiões de seca no Nordeste.

Outrossim, a falta da consciência sustentável da população potencializa a insuficiência do recurso hídrico. Nessa acepção, consoante a máxima de Guimarães Rosa, “a água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba”. De fato, lamentavelmente, essa premissa parece caracterizar fielmente a falta de consciência de parte da população, uma vez que promovem o uso inadequado do recurso natural, como a lavagem regular de calçadas, falta de manutenção na tubulação e desperdícios em longos banhos. Em consequência, essas ações culminam em escassez da água, o que afeta diversos setores e, assim, proporciona uma maior desigualdade social, devido à inoperância de atividades cotidianas por falta do recurso natural.

Infere-se, portanto, a urgência de medidas que visem arrefecer os impactos da escassez da água. À luz dessas considerações, o Estado, em parceria com o setor privado, deve criar um mecanismo de tubulação hídrica destinada à reutilização, por meio de canais que levem a água para depósitos de tratamento, tendo como ponto crucial a filtragem e redistribuição do recurso em áreas de seca, com intuito de proporcionar a sustentabilidade e, assim, diminuir os impactos da carência da água. Ademais, políticas publicas, em cooperação com ONGs, devem disponibilizar palestras públicas sobre a importância do uso adequado da água. Destarte, o cenário terrível no nordeste brasileiro e as vidas secas de esperança, na obra de Graciliano, jamais serão novamente uma realidade do Brasil.