Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 09/08/2019

Graciliano Ramos, em sua obra “Vidas Secas”, busca evidenciar pelo meio da história de Fabiano, uma realidade vivenciada por inúmeros brasileiros, que se deparam com o processo de busca e garantia de acesso ao recurso hídrico. Entretanto, seja na literatura, seja na realidade, o Brasil é um contraste: um país de muita água, porém, de muita sede. Isso se deve à má distribuição de água no país e a incorreta reutilização desse bem. Logo, são necessárias ações do governo, juntamente com a Agência Nacional de Águas (ANA), visando o enfrentamento dessa problemática.

O conceito “Indústria da Seca” foi uma expressão utilizada pela primeira vez no jornalismo na década de 1960, por Antônio Callado.  Nesse contexto, o termo foi empregado em referência às ações praticadas por grandes proprietários de terras, sobretudo na região do semi-árido nordestino, com o intuito de desviar verbas em construção de açudes e monopolizar o acesso à água. Sendo assim, o recurso, com o direito nas mãos da elite, torna-se escasso à população, de modo a corroborar o intenso êxodo rural. Prova disso é que, segundo dados do IBGE, quase 2 milhões de pessoas migraram para as cidades urbanas em virtude da falta de água na última década. Com isso, o fluxo migratório favorece a ocorrência de complicações nas cidade, como a favelização.

Ademais, como uma escassez hídrica pode fazer uma ocorrência de problemas rurais, o mesmo pode ocorrer no âmbito urbano. Nessa vertente, uma vez que a distribuição de água é falha, faz-se necessária uma reutilização do fluido. Contudo, a exposição do recurso e a sua sequência têm a mesma razão que o índice de contaminação por doenças, como a dengue.  Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 3,5 milhões de pessoas morrem por ano, principalmente pelo uso de água não útil, decorrente do desconhecimento de procedimentos reutilizáveis da água.

Portanto, observa-se que existem inúmeros impactos relacionados à escassez da água no século XXI. No entanto, é necessário que o governo junto aos gestores das cidades brasileiras afetadas pela seca, reforcem os investimentos na compra de “caminhões pipa”, levando água para às famílias atingidas. Além disso, a ANA deve ofertar à população urbana, publicidades através de propagandas televisivas e folhetos explicativos, que informem a forma correta da reutilização da água, evitando a proliferação de doenças. Logo, diferente da obra “Vidas Secas”, a população brasileira não enfrentaria essa situação degradante.