Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 09/03/2019
Em face do enfrentamento da escassez hídrica, verifica-se que apesar do Brasil ser privilegiado por agregar cerca de 12% de toda a água doce superficial do planeta, a má distribuição desse recurso entre as regiões brasileiras e a ação antrópica geram impactos econômicos e ambientais. Dessa forma, é preciso adotar estratégias sustentáveis de relação sociedade-natureza, para mitigar este problema caótico que ameaça as fontes fluviais do país.
Para isso, atribuem-se diversos impactos causados pela escassez da água no Brasil. Um deles é o econômico, pois onde há mais recursos hídricos, melhores serão as oportunidades de geração de renda. Como, por exemplo, a cidade de Cabaceiras – PB que chega a marcar 200 mm anuais de índice pluviométrico, enquanto Calçoene – AP atinge cerca de 4.000 mm anuais. Diante destes dados discrepantes, nota-se que para algumas regiões o desenvolvimento de atividades agroindustriais e comerciais é inviável, visto que o baixo investimento favorece a propagação da pobreza para a população local.
Concomitantemente, outros impactos são observados no meio ambiente, pois ao passo que as regiões brasileiras se tornas urbanizadas, maiores são as intervenções humanas. Destaca-se, dentre elas, o desmatamento e as construções utilizando concreto impermeabilizante, que contribuem para a alteração do ciclo hidrológico e das condições climáticas regionais. A prova disso foi a grande seca da região sudeste, observada em 2014, onde o sumiço das chuvas causou um cenário semelhante ao do sertão nordestino, uma vez que a população passou a receber água por meio de caminhões-pipa.
Portanto, é possível inferir que uma sociedade que negligencia seus recursos naturais pode se tornar vítima do próprio ato. Diante disso, são necessárias medidas sustentáveis para a preservação da água potável e o bem-estar social. Para isso é necessário que o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Regional, promova planos habitacionais estratégicos, de modo que não atinja as matas ciliares e proteja os rios e suas nascentes. Além disso, as ONGs, em conjunto com a sociedade civil, podem atuar no reflorestamento dos centros urbanos no intuito de melhorar a permeabilização do solo.
Ademais, é necessário que as regiões mais carentes de água potável do Brasil recebam incentivo financeiro do Governo Federal, para implantação de um sistema de cisternas, infraestrutura e manutenção contínua na distribuição de água tratada, com o propósito de promover o desenvolvimento econômico. Por fim, estas ações germinarão o progresso de uma sociedade mais sustentável, ecológica e consciente em administrar seus recursos naturais.