Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 14/03/2019

Na Grécia Antiga, os filósofos pré-socráticos defendiam a teoria da existência de quatro elementos vitais -água, terra, fogo e ar-. Na contemporaneidade brasileira, infelizmente, a água não é consumida de forma adequada, reflexo da indiferença social e estatal a esse composto inorgânico essencial à vida. Nesse eixo, deve-se analisar como a insuficiência estatal e o uso irracional da água influenciam no agrave dos efeitos dessa problemática. Visto isso, faz-se fundamental a parceria do Poder Público e das instituições formadoras de opinião com o fito de minimizar os impactos da escassez da água.

Em primeira análise, deve-se pontuar o consumo irregular da água como fator determinante na escassez desse recurso. Isso decorre, sobretudo, da ausência de informação e de incentivo ao uso adequado do recurso hídrico, tendo em vista a omissão das instituições influenciadoras, meios midiáticos e escolas, em propagar a necessidade do consumo regular e dos possíveis impactos causados pela utilização indiscriminada da água. Dessa forma, tal negligência é oposta ao direito ao pensar crítico defendido pelos iluministas no século XVIII. Nesse sentido, é essencial a cooperação dos meios de comunicação e das instituições educativas a fim de instruir e instigar o melhor uso da água.

É válido ressaltar, também, a ineficácia estatal em garantir a utilização apropriada da água como colaboradora para o agrave dessa questão, em virtude das políticas públicas existentes pretendentes do controle, da regulamentação e do abastecimento da água no país serem limitadas e insuficientes. Nesse sentido, essa situação vai de encontro com o pensamento do filósofo contratualista Jean-Jacques Rosseau que afirma a obrigação do Estado em garantir o direito à integridade à população, ou seja, assegurar o acesso à água de forma conveniente à sociedade. Além disso, a carência de uma legislação que estabeleça o uso correto desse recurso nos setores econômicos, principalmente, agropecuário e industrial, corrobora para a crise hídrica mundial sendo esses setores os maiores consumidores de água no mundo.

Infere-se, portanto, o dever de as instituições influenciadoras garantir a instrução, por meio da desconstrução da negligência do uso da água, mediante campanhas publicitárias evidenciadoras dos efeitos negativos e abordagem interdisciplinar nas escolas que rompa com o uso inadequado dos recursos hídricos com o fito confirmar o consumo adequado da água. Ademais, cabe ao Estado, por meio do Poder Legislativo e do Poder Executivo, assegurar o direito ao uso da água, de forma adequada, ratificando as leis já existentes e formulando uma legislação para os diversos setores da economia que objetivem, por exemplo, a reutilização desse recurso. Diante de tais medidas, o Brasil torna-se à discernido e valorizará, como os filósofos pré-socráticos, a água.