Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 24/08/2019

Na Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas, são estabelecidos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável que incluem a questão da gestão e da disponibilidade de água para todos. Tais medidas são necessárias diante da alarmante e crescente tendência de escassez desse recurso natural, o que resulta em impactos vis na sociedade. Sob esse viés, o caráter consumista moderno e as alterações climáticas no mundo corroboram decisivamente esse contexto. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados com o escopo de atenuar essa conjuntura.

Inicialmente, ressalta-se a ideia do “princípio da responsabilidade”, do filósofo alemão Hans Jonas. Consoante esse pensador, o homem deve agir de tal maneira que a consequência de suas ações não coloque em risco a vida no futuro. Nesse sentido, observa-se que o caráter consumista da sociedade e a demanda por mercadorias nas indústrias exige, também, um maior gasto de água em todas as etapas produtivas. Com isso, no contexto de escassez da água e na despreocupação da preservação desse bem esgotável, tal situação tem efeitos na qualidade de vida humana no presente, como a mudança de estilos de vida irrefletidos, e na disponibilidade desse recurso para as novas gerações, fato que diverge do princípio joanino.

Outrossim, é válido destacar que as mudanças climáticas potencializam o cenário de escassez hídrica, sobretudo, acentuando esse problema, já recorrente, em localidades áridas, como no Nordeste brasileiro. Nessa perspectiva, na obra “Os retirantes”, do pintor modernista Cândido Portinari, a qual evidencia a migração de uma família em virtude da seca, percebe-se que a falta de água nessas regiões viabiliza a ocorrência de doenças, a carência de alimentação e, até mesmo, a possibilidade de morte. Em face disso, é notório que a privação desse bem natural implica seguramente na dificuldade de sobrevivência não apenas humana, mas de todos os seres vivos.

Destarte, é essencial minimizar os impactos, bem como evitar a contínua escassez de água no quadro social do século XXI. Para tanto, é impreterível que o Ministério do Meio Ambiente, por meio das mídias de amplo alcance, divulgue campanhas direcionadas à população em geral, as quais abordem a influência do consumismo na intensificação da escassez hídrica e dos reflexos nocivos dessa privação para o homem, com o fito de efetivar a ética idealizada por Hans Jonas. Concomitantemente, é imprescindível que as Organizações Não Governamentais que defendem a preservação da água, realizem palestra evidenciando a interferência das mudanças climáticas nessa questão, a fim de possibilitar ações coletivas que alcancem as metas da Agenda 2030.