Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 15/04/2019

“Águas são muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”. Esse trecho da carta de Pero Vaz de Caminha, de 1500, retrata a realidade de abundância de recursos hídricos em território brasileiro. Porém, em dias atuais, é lamentável constatar a grave escassez desses recursos que muitos países enfrentam. Nesse contexto, não só a má gestão da água acaba por gerar uma distribuição desigual, como também a intensificação de fenômenos climáticos, a exemplo do El Niño, atuam de modo a agravar as secas em várias regiões do planeta.

Nesse sentido, a Organização das Nações Unidas (ONU) defende que gerir bem a água é dar prioridade ao tratamento dos recursos hídricos e tornar a questão um debate social. Todavia, o que se observa, no panorama mundial, é uma má distribuição da água e, consequentemente, falta de acesso ao recurso para uma grande parte da população mundial, pois os países que mais têm abundância hídrica são os desenvolvidos. Nesse cenário, a ONU também prevê, no Relatório das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, a intensificação das disparidades econômicas entre os países como consequência da dificuldade de acesso à água.

Além disso, alguns fenômenos climáticos, intensificados principalmente a partir das revoluções industriais e da urbanização, acabam por resultar na redução das chuvas e, consequentemente, na escassez da água. Exemplo disso é o El Niño, evento climático que ocorre devido ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e que resulta em secas extremas e elevadas temperaturas. Ademais, a previsão da ONU é de que em 2030 a sociedade vai necessitar de 40% a mais de água. Portanto, à medida que esses fenômenos ocorrem, não só mais pessoas necessitam de água, mas também mais indivíduos sofrem com a sua falta.

Destarte, diante dos impactos causados pela má gestão dos recursos hídricos e pela intensificação dos fenômenos climáticos, é preciso amenizar essa realidade. Pra isso, é primordial que os gestores de cada país subsidiem indústrias para que elas invistam em pesquisas científicas na área da reutilização, para que a gestão do recurso seja eficiente e gere economia. Assim, ao atingir determinada meta de quantidade de água reutilizada, a indústria receberia mais incentivos fiscais  do governo. Por fim, os gestores do meio ambiente devem elaborar projetos de preservação do meio. Dessa forma, seria feito um mapeamento, através de imagens de satélites, das áreas mais desmatadas e, a partir dele, o reflorestamento de matas ciliares, o que contribuiria para o aumento da evapotranspiração e, por conseguinte, aumentaria o volume das chuvas.