Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 16/04/2019
No filme “Interestelar”, dirigido por Christopher Nolan, a Terra sofre de uma grave crise relativa aos recursos naturais do planeta. O protagonista Cooper, que é um astronauta, diante da situação catastrófica do planeta azul, recebe a missão de verificar possíveis planetas para a continuação da espécie humana em uma luta contra o tempo, sendo que este passa rapidamente em dimensões distorcidas pelo espaço-tempo. Paralelamente, o cenário fictício pode estar mais próximo do que pensamos da realidade. Tendo em vista que o uso desenfreado dos recursos naturais e, especificamente, dos recursos hídricos, possa desencadear uma série de fatos que propicia a extinção das várias formas de vida, é imprescindível buscar alternativas que inibam o comportamento consumista relativo à água no século XXI.
Segundo um relatório postado pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. O relatório ainda destaca as posições em que mais se faz o consumo, destacando o agronegócio, por meio da irrigação, como principal agente consumista, correspondendo a 73% do consumo de água. Tal pesquisa refuta o senso comum de que o desperdício gerado pelo consumo doméstico é o principal responsável pela crise hídrica instalada mundialmente. Ademais, a política internacional tende para a desconsideração desses fenômenos devastadores, visto a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, principal acordo em vigor sobre a emissão de gases estufa, que contribuem para o aumento da temperatura global e, consequentemente, para a diminuição de chuvas nas mais variadas partes do mundo.
Diante do exposto, convém ressaltar uma publicação postada pelo “World Resources Institute” (WRI), instituto especializado sobre os recursos do mundo. Na publicação, é relatado que 2040 será o ano de completa escassez hídrica para aproximadamente 3.5 bilhões de pessoas, um dado alarmante que tratá impactos sociais, ambientais e econômicos de variadas formas.
Em suma, é fulcral que sejam tomadas providências para amenizar o quadro atual. Estamos em uma verdadeira luta contra o tempo, como Cooper em “Interestelar”, com a diferença de que todos somos os “astronautas” dessa missão. Diante das análises expostas, urge que os principais ministérios dos países dispostos a mudar esse cenário, por meio de verba financiada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), consolidem incentivos às pesquisas na área hídrica, destacando-se como principais soluções a dessalinização de águas marinhas e a reciclagem de água não potável em água potável. Certamente, tal proposta trilhará a humanidade para um futuro sustentável e, desta maneira, poderemos restringir o filme de Christopher Nolan à ficção.