Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 08/05/2019

Em “Vidas secas”, o leitor é conduzido para uma narrativa dramática de uma família que enfrenta a miséria no sertão nordestino em função da escassez hídrica. Entretanto, a realidade não se afasta da literatura brasileira e o problema da falta de um recurso tão essencial tem fatores sociais relacionados às diversas disparidades existentes. Assim, é necessário compreender o consumo desenfreado e a distribuição desigual para evitar as consequências nos nossos ecossistemas e saúde pública.

Em primeira instância, a agropecuária e a indústria são atividades que consomem uma parcela enorme da água no Brasil. Uma vez que, com certa frequência o descarte dessa água utilizada é feito indevidamente, sem se ligar aos sistemas de saneamento, diversos ecossistemas são poluídos e a água não consegue ser tratada e reaproveitada. Em consoante à Guimarães Rosa, escritor brasileiro, o valor da água só é dado quando ela acaba e, assim, a negligência dos chefes de Estado com a problemática pode encaminhar as nações para consequências cada vez piores. Isto é, a falta de fiscalização e ampliação dos sistemas de saneamento é o principal fator para a persistência do consumo desenfreado que degrada o meio ambiente e a vida.

Além disso, o olhar capitalista sobre a água como bem financeiro ofuscou o princípio de bem necessário para a vida, o que reafirma sua distribuição desigual. Por isso, pessoas mais pobres são as principais afetadas pela falta de água potável, perdendo o direito à dignidade humana. Conforme Rosseau, filósofo contratualista, a existência do Estado surge da necessidade dos povos em construir um mecanismo capaz de corrigir as desigualdades construídas pela propriedade privada. Nesse sentido, os governos ocupam papel central para reparar o ideal de privatização dos recursos hídricos e de saneamento básico, com um processo de resgatar uma orientação humanitária sobre a água.

Portanto, é evidente que a escassez da água é um problema que afeta o Brasil e urge de políticas públicas de todas as esferas governamentais. Para isso, é dever do Ministério do Meio Ambiente proteger os ecossistemas e comunidades por meio de fiscalização rigorosa quanto à utilização de água dos latifúndios e ao despejo das indústrias. Ademais, os municípios, com apoio dos governos estaduais, precisam solucionar a distribuição desigual com investimento em infraestrutura, especialmente nas periferias, para o saneamento básico: mecanismo capaz de tratar a água e distribui-la em seu estado potável novamente. Finalmente e, só assim, o Brasil poderá administrar seus recursos de forma consciente para as próximas gerações e evitar a concretização de mais histórias como o romance de Graciliano Ramos.

C: Vidas secas, narrativa sobre a miséria causada em função da escassez hídrica.

T: A falta da água pode levar diversos países ao caos

P: Consumo desenfreado e distribuição desigual