Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 09/05/2019

Na obra literária “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é perceptível o contínuo anseio pela sobrevivência humana, com a finalidade de obter um direito universal inquestionável: a água. Dessa maneira, a escassez do bem hídrico é um problema atemporal e aflige a sociedade contemporânea à medida que sua demanda e consumo aumentam. Destarte, torna-se imprescindível alterar esse uso desregulado e combater a desigualdade na obtenção de tal recurso.

Um contribuinte ao emprego irresponsável da água, primeiramente, é o chamado “consumo virtual”. Isto é, a quantidade líquida utilizada para a fabricação de produtos, como, automóveis ou a própria calça jeans, que necessita de 11.000 litros para atingir a tonalidade ideal. Neste sentido, intuímos que o desperdício desse composto inorgânico não provém unicamente dos descuidos dos cidadãos, visto que as indústrias favorecem sua carência, ao visar a promoção de lucros comerciais do sistema de produção capitalista.

O Brasil, outrossim, enfrenta uma crise hídrica, principalmente, o estado de São Paulo, que sofre com o esgotamento do reservatório da Canteira. Tal fato, somado à ausência de chuvas e à demanda de suprir as necessidades da população, fomentou um processo de conscientização e controle da distribuição da água em determinados dias da semana. Embora, ainda que a mídia se volte à localidade econômica mais desenvolvida do país, a região Nordeste já convive, há anos, com a ausência de abastecimento total desse fluido.

Por conseguinte, várias áreas nordestinas vivem em estado de emergência com a seca e, antes, o que se limitava a algumas partes, agora, atinge os grandes centros urbanos, como a Paraíba e Campina Grande. Essa realidade prova que as dificuldades climáticas, como o período de estiagem e a seca de rios, além do descaso político contribuíram para o alastramento dessa insuficiência hídrica.

São notáveis, portanto, as causas da escassez desse solvente universal. Logo, a mídia deve alertar e orientar a população sobre o uso consciente. Além disso, tratar as águas de esgotos a fim de as indústrias as reutilizem de forma sustentável e, dessarte, conter os gastos do consumo virtual. Ademais, o racionamento no Sudeste prevenirá a seca absoluta nesse período de crise. Já o Nordeste, que recebe esse tratamento e ainda sim, sofre com fatores sociais, o ato humanitário de transportar parte da água do aquífero Guarani seria a principal medida para promover a igualdade de distribuição da água, enquanto o poder público associado a instituições de ensino investe em pesquisas para driblar os fatores climáticos. Talvez, assim, Fabiano e Sinhá Vitória deixem de ser personagens atemporais dos problemas da ausência hídrica.