Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 09/05/2019

Dentre as cartas de Pero Vaz de Caminha, encaminhadas à Coroa Portuguesa, o verso ‘‘Águas, são muitas, infindas’’ retrata a abundância desse solvente universal no território brasileiro. Nesse ínterim, no decorrer das gerações, o uso desse manancial tornou-se cada vez mais desenfreado, haja vista o pensamento fracassado de que a água jamais acabaria devido à sua vasta presença, essencialmente em áreas litorâneas. Por consequência, o Brasil atual sofre os impactos de escassez, os quais necessitam ser sanados, através de medidas eficientes em prol de uma nação consciente.

Nesse contexto, é de extrema importância ressaltar a má distribuição geográfica do país no que se diz respeito a água, uma vez que ,majoritariamente, a Região Norte Brasileira concentra grande volume desse manancial, mesmo sendo a porção com menor número de habitantes por metro quadrado. Dessa forma, essa desigualdade afeta em primeira instância as demais regiões quando há carência dessa reserva natural, pois não é culpa direta do indivíduo. Todavia, apesar de projetos para transposição dos rios, a fim de abastecer os demais estados, tenham sido colocados em pauta, eles não são soluções viáveis, tendo em vista ao exacerbado custo para efetivar o projeto, além da ineficiência da transposição do Rio São Francisco, por exemplo.

Outrossim, um levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil demonstrou que 37% da água tratada no território é perdida no processo de repartição, haja vista a existência de canos e tubulações com vazamentos, demonstrando assim, a negligência do Estado em fiscalizar tais setores. Como se não bastasse, o cidadão tem culpabilidade nos impactos da carência dessa reserva natural quando a desperdiça, principalmente nos afazeres domésticos, além do desmatamento desenfreado observado nas últimas décadas, porque a ausência das matas ciliares gera ausência de chuva, logo, afeta o reabastecimento de reservatórios, dificultando o progresso de recuperação do volume perdido.

Em suma, é notório a dificuldade que o Brasil ainda enfrenta acerca da água no século XXI. Portanto, faz-se necessário que haja um Pacto Federativo entre o Estado, Ministério da Educação, Infraestrutura, bem como do Ambiente, a reeducar a cultura errônea que o indivíduo contém em acreditar que seu consumo exagerado não é desperdício. Logo, é vital realizar simpósios no âmbito estudantil, em parceria com especialistas no assunto tendo o intuito de relatar os problemas existentes, mas, acima de tudo, debater com os estudantes novos mecanismos para melhorar essa problemática. Ademais, reavaliar todas as tubulações é de suma importância, para que se possa reparar os danos mais brevemente; além disso, dar incentivos aos que reduzirem seus consumos e restituírem matas ciliares, reduzindo seus tributos é de suma importância para controlar a agressividade da escassez.