Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 01/05/2019

Segundo o filósofo inglês John Locke, é dever do Estado garantir os direitos inalienáveis do cidadão, tais como a vida, a liberdade e a propriedade privada. Por conseguinte, é indubitável que a escassez de água em diversas regiões do planeta tem gerado um problema conspícuo que sobrepuja a primeira premissa lockeana, pois em muitos cenários a seca é alarmante e fatal. Entretanto, no Brasil tal problemática está mais associada a outros fatores, como o uso inadequado no agronegócio e a falta de segurança ambiental. Dessa forma, é impreterível a necessidade de uma intervenção governamental com o fito de mitigar os efeitos nocivos dessa administração deficitária dos recursos hídricos, prezando pelo bem-estar social e pelo futuro das próximas gerações.

A princípio, cabe ressaltar que, de acordo com a Constituição de 1988, todo cidadão tem direito a um ambiente ecologicamente equilibrado. Todavia, no início de 2019, ocorreu um desastre no município de Brumadinho, no qual uma barragem de mineração cedeu, fazendo com que milhares de litros de lama fossem despejados no Rio Paraopeba, o que consequentemente gerou a morte biológica de todo seu ecossistema. Desse modo, foi perceptível que a ação antrópica do homem denegriu a segurança ambiental nesse contexto, fazendo com que muitas pessoas fossem prejudicadas pela morte de um rio tão importante, ocasionada por descuido e falta de manutenção.

Outrossim, sabe-se que segundo o filósofo francês François Quesnay, a agricultura é a maior riqueza de uma nação. Não obstante, o Brasil tem investido de forma exponencial no agronegócio nacional, utilizando de técnicas de cultivo e principalmente, uma grande demanda dos recursos hídricos brasileiros, representando cerca de 60% do desperdício de água no país, de acordo com pesquisas de consultoria especializada, sendo algo prejudicial para a população, tendo em vista que a escassez de água potável é um problema real que vem aumentando rapidamente ao longo dos anos.

Infere-se, portanto, a premência de uma intervenção com a finalidade de buscar soluções viáveis para essa problemática. Para isso, é de suma importância que o Governo Federal, em parceria com empresas privadas, busque criar um projeto de contingência, que utilize da tecnologia para a produção e retenção de melhores recursos hídricos, tal como a produção de água por meio da combustão de hidrogênio, que poderia ser controlada em uma usina propriamente desenvolvida para isso, buscando assim, melhorar a situação hídrica do país como um todo. Ademais, cabe ao Ministério da Agricultura, buscar formas mais viáveis e sustentáveis na produção, utilizando água da chuva para a irrigação e evitando ao máximo a contaminação por pesticidas, para que no futuro a questão hídrica não seja mais um problema.