Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 01/05/2019

No livro “Vidas secas” do autor Graciliano Ramos, destaca-se a busca pela sobrevivência humana, na tentativa de obter um direito ecumênico: a água. No contexto brasileiro, a escassez de água tornou-se um problema atemporal, afligindo a sociedade hodierna. A problemática supracitada concentra-se no consumo insustentável de água, principalmente no que tange à agricultura, e no aumento de desigualdades no abastecimento hídrico.

Em primeiro lugar, acentua-se, o uso irregular da água no setor agrícola. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil, cerca de setenta e dois por cento do consumo total de água é feito pelo sistema de irrigação na agricultura. Ademais, segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), “a atividade agrícola é vista como algo prioritário para as políticas de controle racional da água, devido ao seu alto consumo.”

Por conseguinte, torna-se notória, a má distribuição desse recurso hídrico no país, o que impulsiona desigualdades na sua provisão. Outrossim, de acordo com a revista Repórter Brasil, aproximadamente setenta por cento da água aglomera-se na Amazônia, grande precursora da atividade agrícola, enquanto, apenas três por cento abastece o Nordeste, contribuindo, entre outros fatores, para que a região nordestina seja a mais assolada pela falta de abastecimento hídrico.

Portanto, é mister que o governo federal aliado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), incentive  os agricultores a buscarem medidas sustentáveis de irrigação, como o gotejamento, por meio de campanhas midiáticas, fiscalizações efetivas e políticas de premiação pela redução de desperdícios, ao passo que, implemente-se punição, como taxações,  para consumos exacerbados. A fim de haja economia significativa desse solvente universal. Com isso, a partir de políticas públicas, o governo junto aos sistemas de distribuição, deve realocar essa água visando atender regiões carentes, como a nordestina. Somente assim, será possível, de maneira análoga à obra literária “Vidas secas” , a busca pela sobrevivência humana e o combate às desigualdades no fornecimento de água, culminando no alcance do direito ecumênico desse recurso tão essencial para a manutenção da vida.