Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 01/05/2019
Por intermédio de um olhar social, o Arcadismo — movimento de cunho literário difundido no ocidente ao permear do século XVIII — deixou como o maior legado da sua história a necessidade de manter preservado e assegurado recursos inerentes ao meio ambiente. Antagônico ao movimento árcade, o cenário brasileiro atual, marcado por defasagens na conjuntura hídrica, põe em xeque o futuro de uma nação e contraria preceitos legitimados na própria constituição democrática. Consoante a esse contexto, urge acrescentar um olhar maior de enfrentamento à problemática.
A priori, para o pensador iluminista John Locke, é de suma importância a razão e a responsabilidade desenvolvimentista para a modernização de um meio, que culmine à harmonia na relação homem-natureza. No entanto, o que vigora na prática brasileira é a majoritária defasagem da consciência ambiental, pautada pela sobreposição de valores financeiros sobre ecológicos. Isso pode ser exemplificado por uma pesquisa elaborada pelo ‘‘Jornal Nexo’’, no qual expôs, via infográfico, o destino quase integral da água potável às práticas agrícolas e agropecuárias. Dessa forma, explicita-se que enquanto não houver mudanças na postura ética ambiental , a visão lockeana estará fadada à escassez, junto aos recursos hídricos verde-amarelos.
Além disso, é pertinente a consideração de que a déficit dos reservatórios aquíferos brasileiros deve-se, também, à banalização do seu uso no cotidiano entre os cidadãos. Na prática, o paradigma é visível pelo olhar sociológico no âmbito, ao qual aponta o declínio da educação ecológica entre a maioria dos indivíduos de uma metrópole. Acerca disso, o uso indiscriminado de tais recursos perpetua-se mediante a ausência de consciência pedagógica de termos previstos na própria Constituição Federal desse povo — que estabelece a água como mecanismo essencial à vida e orienta a todos a preservação de tal componente. Assim, é paradoxal que, mesmo em Estado Democrático de Direito, a díade governo-cidadão ainda não tenha desenvolvido artefatos que assegurem a gestão hídrica.
Depreende-se, portanto, a necessidade de intervir no ciclo da água entre os elementos que compõem o meio brasileira. Logo, compete ao Ministério Público investir e ampliar entidades fiscais, que inspecionem e limitem as principais empresas e ramos produtivos ao uso consciente da água, por via de estímulos de reúso. À esfera civil, convém à mídia, por meio da função apelativa, insistir na propagação de campanhas, que tenham como fim expor o fato de que a água é um recurso não renovável e, portanto, finito, a fim de orientar os indivíduos a preservarem esse artefato. Por conseguinte, sob a aplicação de tais medidas, construir-se-ia um meio social e ambiental mais equilibrado e faria jus à perspectiva Arcadista antes utópica e banalizada.