Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 02/05/2019

Na obra “Iracema” o romantista José de Alencar expõe, por meio da relação da personagem principal (que era uma índia) com a natureza, o quão indispensável é a preservação ambiental. Na contemporaneidade, mesmo com os avanços das ciências naturais, a realidade retratada por Alencar não se faz presente no Brasil graças à omissão do poder público e à falta de humanidade da classe dominante, resultando em impactos ambientais irreversíveis, como, por exemplo, a falta de água em regiões pobres e afastadas da esfera capitalista. Logo, pode-se afirmar que a escassez de água é uma problemática proveniente de ações antrópicas irresponsáveis, que alimentam o sistema monetário.

De início, pode-se lembrar que a utilização da água em prol do desenvolvimento humano não é uma invenção do século XXI; durante a antiguidade, os orientais habitantes da Mesopotâmia foram os primeiros povos a desenvolver técnicas de agricultura graças à presença dos rios da região. Desde então, a água é considerada fonte primordial da vida e do crescimento social, porém, graças à desigualdade social presente no sistema capitalista, milhares de pessoas não têm acesso à água potável e segura. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 2,1 bilhões pessoas na Terra, não têm acesso à água limpa. Sabe-se que essa cruel realidade faz-se presente, principalmente, em comunidades pobres e afastadas dos grandes centros econômicos mundiais.

Tem-se conhecimento que a Constituição Cidadã de 1988 garante, no Brasil, pleno acesso às necessidades vitais básicas (como saúde, educação e água potável), em contraposição, o governo age com imensurável descaso, mantendo a população carente cada vez mais afastada  desses direitos. Sabe-se que a crise hídrica no Brasil e no Mundo só há de se tornar realidade se a classe dominante continuar utilizando a água de forma exagerada e inconsciente. A OMS afirma que a quantidade de água necessária diariamente por pessoa é de, em média, 75 litros d’água. Em contraposição, em países como Brasil e Canadá, cada cidadão de classe média utiliza cerca de 187 litros por dia. Esse dado alarmante concretiza o quão singular e desigual é a sistema vigente. Segundo o professor Paulo Freire, “o educador se eterniza em cada ser que educa”. Sob esse viés, pode-se concluir que a conscientização popular só pode acontecer através da educação plural e inclusiva.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. É imprescindível que o Ministério do meio ambiente junto ao governo federal, crie um projeto de conscientização popular sobre a economia d’água. O projeto deve contar com a distribuição de cartilhas nas contas de água e nas redes sociais, com fim de mostrar à população, de forma clara e objetiva, os riscos de uma crise hídrica e como evitá-la a partir de ações simples, como, por exemplo, a economia dentro de casas, colégios e comércios.