Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 05/05/2019

Na obra literária “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é perceptível o contínuo anseio pela sobrevivência humana, que depende diretamente do acesso à água. De modo paralelo a essa realidade ficcional, a alta demanda e o consumo desregulado associados  à fatores estruturais, têm maximizado os problemas com a escassez desse recurso hídrico. Assim, torna-se evidente a emergência em promover uma gestão hídrica mais responsável.

Em primeiro lugar, nota-se que o sistema de produção capitalista trouxe inúmeras implicações ao modo de vida da sociedade, entre elas a maior demanda pela água, seja para geração de energia, agropecuária, indústria ou consumo individual. Nesse contexto, o consumo exacerbado e, muitas vezes, irresponsável contribui com a crise mundial de água, que tem limitado, sobretudo, o acesso das pessoas mais pobres a esse bem universal, uma vez que a prioridade é manter o padrão econômico. Prova clara disso é que, no Brasil a agropecuária é a área que mais demanda água, totalizando 70,2%, conforme a Agência do Brasil.

A posteriori, a dificuldade climática, como no caso do Nordeste, e o descaso político em gerenciar e disponibilizar igualmente os recursos têm potencializado a crise hídrica. Assim, regiões já enfrentam diariamente a falta de água e o racionamento desse direito inquestionável, a exemplo do sertão nordestino e de áreas em São Paulo. Esse processo opõe-se ao fato de o Brasil ser um dos países com maior abundância do solvente universal e revela a desigualdade na distribuição desse recurso, visto que  a região com maior disponibilidade (Norte), é também a de menor demanda para fins pessoais.

Portanto, a fim de erradicar a escassez de água faz-se necessário que o Ministério do Meio Ambiente, órgão responsável pela política nacional do meio ambiente, promova, por meio do desenvolvimento sustentável, o gerenciamento responsável dos recursos hídricos, que possibilite a priorização das necessidades humanas em detrimento da econômica. Ademais, o governo deve, por intermédio de políticas públicas, investir em projetos de pesquisa para driblar os fatores climáticos, possibilitando a igualdade de distribuição. Assim, os impactos da escassez de água poderiam ser atenuados.