Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 13/05/2019
Exibido pela netflix, o filme “O menino que descobriu o vento” - baseia-se na história real de Willian Kamkwamba, jovem que enfrentou a seca a partir da construção de um moinho elétrico que irrigava a plantação de sua pequena aldeia no Malauí. Não obstante, a escassez hídrica é um problema de proporções mundiais e seus impactos podem ser observados sobretudo no crescimento desordenado das cidades e na falta de reaproveitamento da água.
A priori, cabe pontuar que a falta de reforma agrária e de planejamento urbano contribuem para o crescimento desordenado das cidades, que por sua vez, acentuam a escassez de água. Em sua obra “O cortiço”, Aluísio de Azevedo relata bem os impactos negativos desse processo distópico que limita o acesso ao saneamento básico. O Inchaço populacional gera um conflito entre oferta de água potável e demanda. Além disso, a poluição causada pela má gestão do lixo e a falta de água limpa dificultam o acesso a água de qualidade, o que se comprova por meio de dados da Agência Nacional de Águas(ANA), segundo o qual 84% das cidades necessitam de investimentos urgentes para adequação de seus sistemas produtores de água servível ao consumo.
Ademais, convém frisar que segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a agropecuária é a principal responsável pelo uso da água, o correspondente a 72% do consumo no Brasil. Destarte, entende-se que, além desse consumo ser demasiado, a falta de reúso do líquido empregado na agricultura constitui um obstáculo à segurança hídrica. De acordo com Lineu Rodrigues, da Embrapa, “o uso da água na agricultura tem uma diferença expressiva com relação ao uso humano e ao industrial: a qualidade dos resíduos”. Em decorrência disso, a água que volta para o rio depois do consumo humano é insalubre. Em contrapartida, na agricultura sustentável, ela volta limpa. Consoante a isso, o uso dos defensivos agrícolas, muitos deles proibidos no exterior, traz como consequência a contaminação dos recursos fluviais.
Logo, infere-se que urge a necessidade de se promover o consumo sustentável da água. É imperioso que o Governo em conjunto com a Agência Nacional das Águas promovam estratégias de distribuição de saneamento básico, por meio do acesso a redes de esgoto e água tratada. Para alcançar um resultado positivo, parcerias público- privadas podem integrar esse processo tendo como focos: o combate às fraudes e o controle de vazamentos. Para mais, a tecnologia também pode exercer papel fundamental, com o uso de sensores e drones, que ajudem a identificar o melhor momento para irrigar, aliado à prática da irrigação por gotejamento que propicia uma melhor e mais vantajosa distribuição do fluído. Dessa forma, assim como no Malauí a seca não será mais persistente.