Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 04/05/2019
“No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma”- afirmava o escritor pré-modernista Monteiro Lobato a respeito da consciência individualista nacional. Essa pátria mesmo contando com 12% das reservas mundiais de água doce, não está imune à escassez hídrica. O aumento do consumo de água, mormente, pela agricultura que exige uma grande quantidade para se desenvolver de forma satisfatória, contribui para essa carência. Além disso, há a poluição de reservas hídricas, como a contaminação por deposição de esgotos.
Nota-se que o aumento no consumo de água no mundo vem contribuindo para a diminuição da disponibilidade dos recursos hídricos. De acordo com João Guimarães Rosa - escritor brasileiro- “A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba.” Essa elevação do consumo é causada, principalmente, pela agricultura, que é a atividade econômica que mais utiliza água em seu processo produtivo. Sendo assim, o setor da agricultura deve ser responsabilizado pelo investimento em sua preservação.
É importante salientar que o ser humano, na maior parte de suas atividades, precisa de água doce para garantir sua subsistência. Consoante o trecho da música “O Meu Posto” de Nando Reis- cantor brasileiro- “… O mundo é muito mais água do que eu posso beber…”. Mesmo assim, muitas atividades antrópicas contribuem para a diminuição dessa água que se torna inutilizável em um curto período de tempo. Uma das maneiras mais frequentes que isso acontece é a poluição gerada pela deposição de esgoto, em lugares onde o saneamento básico ambiental não é adequado, esse quadro torna-se mais dramático. Ainda que já exista a Lei do Saneamento Básico, de 2007, que prevê a universalização dos serviços de abastecimento de água, rede de esgoto entre outros, é insuficiente para sanar o dilema.
Destarte, é indiscutível que medidas são necessárias para amenizar essa crise hídrica. É evidente que o consumo de água na agricultura tem que diminuir sem afetar a produtividade, assim, o Governo Federal junto como Ministério do Meio Ambiente, deve oferecer isenção de impostos para agricultores que implantarem a técnica de irrigação por gotejamento. Ademais, o poder executivo, por meio de um decreto, deve baixar os impostos para quem adotar o projeto da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) de baixo custo e fácil instalação, que consiste em uma fossa séptica biodigestora, que trata o esgoto do vaso sanitário e produz um efluente que pode ser usado no solo como fertilizante. Só assim os brasileiros aprenderão, também, a somar.