Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 07/05/2019

A Revolução Neolítica, entre os séculos XXX e X a.C, possibilitou o surgimento de sociedades hidráulicas, como a Egípcia e a Mesopotâmica, que tiveram sua fundação determinada por recursos hídricos. Contudo, de acordo com Jared Diamond - em seu livro “Colapso” -, a escassez de água propiciou o fim de determinadas civilizações, como os Maias no México. Dessa forma, o consumo exacerbado e a poluição aquática fomentam os impactos da carência desse recurso natural. Fatos como esses demonstram a ineficiência ou inexistência de políticas públicas voltadas ao tema e evidenciam a necessidade de se discutir acerca da problemática em questão.

É importante pontuar, de início, que o dispêndio acentuado da população eleva a pouquidade hídrica no século XXI. Nesse sentido, a falsa ideia difundida na comunidade de que a compra é um instrumento de ascensão social infere no comportamento habitual dos indivíduos, ao passo que, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade age como uma força modeladora que coage a seguir determinados padrões. Por conseguinte, o geógrafo Tony Allan, ao expor o conceito de “Água Virtual”, exprime a quantidade de água utilizada, de forma direta ou indireta, na fabricação de um bem ou serviço, o que fundamenta a redução da disponibilidade desse bem em decorrência do consumismo.

Ainda, é importante pontuar que a contaminação aquática decresce a oferta desse recurso em condições favoráveis ao consumo direto ou mediante tratamento básico. Dessarte, os agricultores, ao utilizar excessivamente agrotóxicos e substâncias químicas afins para subir a produtividade, criam condições para que, durante as chuvas, o processo de lixiviação arraste o excedente desses produtos tóxicos para corpos hídricos. Destarte, o filósofo Aristóteles, por meio da concepção da ideia de “Justa medida”, demonstra que uma ação virtuosa deve possuir um meio termo entre o excesso e a falta. Desse modo, o produtor, apesar de ter a incumbência de uma produção elevada, precisa dosar os insumos a fim de não prejudicar o meio ambiente.

Por tudo isso, faz-se necessário que haja um mobilização da sociedade com vistas a diminuir os problemas relacionados ao tema. Para tanto, o governo deve promover a difusão de ideais sobre o consumo consciente, por intermédio da inserção de propagandas, em canais abertos de TV, que demonstrem o uso excessivo de água na fabricação de produtos, a fim de tornar as pessoas conscienciosas. Além do mais, os agricultores devem reduzir a utilização de agrotóxicos, por meio do uso de técnicas como o manejo integrado de pragas (MIP), que proporciona o controle de pestes e doenças com soluções sustentáveis e rentáveis, com a finalidade de reduzir a poluição hídrica e fomentar a disponibilidade do recurso para as próximas gerações.