Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 07/05/2019

Seria a água o mais novo tesouro contemporâneo?

Individualismo, má gestão hídrica, períodos de seca, uso inconsequente. Diversas são as causas para o atual cenário de escassez da água. Ao longo do processo de formação do imaginário coletivo construiu-se a ideia errônea de que, por haver água em abundância no planeta, pode-se gastá-la em igual quantidade.  No entanto, de toda a água existente, apenas 3% é doce e menos de 0,1% é potável. Com efeito, esse panorama de caos hídrico, fruto da má gestão governamental e do descaso social, mostra-se um desafio a ser superado com urgência.

Em primeira instância, a má gestão estatal dos recursos hídricos fomenta um complexo cenário de desconstrução do outro, haja vista promover intensa desigualdade na distribuição de água pelo país. Ademais, segundo dados da Organização Mundial de Saúde apenas 50 litros de água são suficientes para suprir as necessidades básicas do ser humano, no entanto, no Brasil, esse gasto é três vezes maior, o que mostra a importância do debate acerca dessa problemática. Vale ressaltar, também, que a gênese dessa prática social está intimamente ligada ao modelo socioeconômico vigente que não adota medidas de prevenção e reversão dessa situação.

Em segundo plano, sob a ótica social, a falta de consciência da população motiva o agravamento dessa realidade de crise hídrica, visto que as pessoas não se preocupam com a forma de distribuição da mesma pelo país ser realizada de forma absolutamente desigual. Além disso, essa conjuntura materializa com nitidez a concepção de Modernidade Líquida do sociólogo Zigmun Bauman, cuja base teórica busca compreender as relações modernas e o individualismo que as perpetua. Com isso, tal reflexão reaviva a problemática enfrentada atualmente na qual essa grave situação de esgotamento da água ainda se faz presente no contexto nacional.

Portanto, é perceptível que esse cenário de escassez hídrica é proveniente da má gestão do Estado e da compactuação social. Visto isso, a fim de garantir acentuada melhora nesse triste panorama, cabe ao Governo Federal, via Ministério do Meio Ambiente, por meio políticas ambientais, assegurar o uso consciente dos recursos hídricos e estabeler limites mensais para o gasto de água por residência em todo o país. Dessa meneira, construir-se-á uma sociedade mais harmônica e igualitária e a reflexão de Zigmunt Bauman não mais será uma realidade tangível no Brasil.