Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 13/05/2019

Os registros históricos das antigas civilizações sempre destacaram o seu sucesso ao passo dos recursos naturais por elas usufruídos. Esse foi o caso da Mesopotâmia, com os rios Tigre e Eufrates, e do Egito antigo com seu mantenedor, o Nilo. Dessa forma, os recursos hídricos desempenham um importante papel econômico e social dentro do contexto de estruturação da sociedade, que se extende à contemporaneidade. No entanto, a percepção da finitude desse recurso natural levanta questões quanto à disputa pela água e o cenário social que uma possível escassez da mesma venha ocasionar.

No tocante aos aspectos econômicos, a água constitui da principal matéria prima envolvida em todos os processos da atividade primária. Sua ausência acarreta consequências ao impactar, por exemplo, os diversos modos de cultivo em agricultura e a manutenção da atividade pecuária, principais atores de países cuja base econômica gira em torno do setor primário de produção, como a China, Índia e, em menor grau, o Brasil.

Ademais, a falta de água para o consumo humano também traz repercussão em escala social. Como bem retratado em “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, diante de um ambiente improdutivo, como o sertão nordestino em épocas de seca, os indivíduos se viam obrigados a se retirarem de suas terras em busca de oportunidades em locais que se disponibilizasse água para o exercício da agricultura de subsistência. Fora do contexto literário, essa realidade se faz presente, no nordeste do Brasil, quando projetos sociais, como a transposição do São Francisco, não procedem de conclusão e deixam a desejar as necessidades daquela população.

Dessarte, no tocante ao cenário nacional, faz-se necessário que o Ministério do Meio Ambiente em consonância com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação atuem com vistas ao investimento em pesquisas a fim de desenvolver meios de reaproveitamento da água, bem como alternativas tecnológicas de dessalinização da água do mar para uso econômico, como a osmose reversa, a fim de utilizar de maneira sustentável esse bem natural. Além do mais, urge que se apliquem esforços de conscientização da população, por intermédio da mídia, sobre a finitude desse recurso mineral quando da importância de seu uso correto, com o propósito de manter a disponibilidade e viabilidade da água para as gerações futuras, assim como evitar conflitos entre povos por um bem, até então, universal.