Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 06/05/2019
Escassez do bom senso
É incontrovertível o mau uso da água no cenário do Brasil. Assim, é com pesar que vê-se as drásticas consequências de tal usufruto inconsciente, danoso e até mesmo egoísta, uma vez que muitas pessoas tendem a não se importar com a falta de água dos vizinhos nacionais. Dessa forma, é cabível, também, pontuar a influência da agropecuária e da indústria para a escassez de tal recurso, já que a taxa de água utilizada por esses setores é alta. Logo, urge ação do Estado para mitigação disso e da mídia, direcionada à sociedade.
Em vista disso, lamentavelmente, um dos impactos da falta de água no Brasil, a exemplo do Nordeste, é a perpetuação da negligência desse contexto árduo pelas pessoas de outras regiões, em sua maioria, e até mesmo pelo Estado; ao passo que, políticas públicas de assistência a tal contingente são enfraquecidas e defasadas. Todavia, quando os órgãos governamentais vêm na defensiva, são contraditórios, visto que afirmam não ter água nesses locais, embora assim não o seja para os grandes latifundiários, com a plantação irrigada de banana, por exemplo. Com efeito, é memorável estabelecer um diálogo entre a obra modernista “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, e o prisma supracitado, já que ambos apontam para a marginalização internacional de grupos menos favorecidos, concomitante à negligência estatal e à prosperidade econômica de pessoas detentoras de poder, como fazendeiros. Isso ratifica a latente marca de jogo de interesses.
Ademais, é possível notar os efeitos da ausência mor de água diante do estabelecimento de um viés egoísta e carente de empatia por parte da população que não sofre pela escassez de tal recurso sobre a parte que o sofre. Com ênfase, é pertinente o pensamento do filósofo Bourdieu acerca do “habitus”, ou seja, comportamentos estranhados e incrustados na rotina de uma sociedade que já não mais se pensa sobre o motivo de fazê-los. Nesse viés, na esfera de falta do recurso natural em pauta, o “habitus” é de se imaginar a água como recurso infinito, tanto pela população ordinária quanto pelos donos de indústrias e chefes da agropecuária, herança do período colonial do modelo de exploração. Assim, cabe aos órgãos competentes supracitados agir nesse ínterim.
Portanto, o Estado, como órgão responsável pela integridade dos bens naturais da União, deve, por meio de leis, multar a população em geral que abuse do uso da água, com desperdícios. Por conseguinte, essa medida será eficaz para a atenuação da ausência mor do recurso mais essencial à vida, pois irá iniciar pensamentos de bom senso.