Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 09/05/2019

Em seu documentário Ouro Azul - Guerras pela água do mundo, o advogado ambiental Jim Olson não reflete sobre salvar o ambiente, mas sobre as formas da destruição humana serem eludidas, diante da excessiva extração de água no mundo. Na atualidade, a discussão sobre os impactos causados pela escassez de água, propõe quase que instantaneamente uma preocupação com as gerações futuras e a realidade em tempo presente. Nessa perspectiva, convém discutir sobre a exploração abusiva desse recurso, principalmente, para fins lucrativos, como contribuição para inviabilização de um bem de domínio público e a interferência da qualidade vida da sociedade.

Em primeiro lugar, convém analisar sobre a intensa extração de recursos hídricos, não como direito humano, mas como um produto. Assim como defendia o químico , Antoine Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. De modo análogo ao pensamento do francês, percebe-se que no Brasil, a água é convertida para atender  múltiplas funções, já que é utilizada excessivamente no setor industrial, no desenvolvimento da agropecuária, transporte e é a principal fonte geradora de energia do país, por isso é dotada de valor econômico e restrição ao acesso. Como prova de tal ingerência administrativa e distribuição desse recurso, segundo o jornal Correio Braziliense, cerca de 55% da população brasileira não possui acesso a água potável.

Além disso, é válido ressaltar como a escassez de água justificada pela exorbitante exploração humana, torna a sociedade vulnerável às péssimas condições de vida. Na obra do modernista Graciliano Ramos, Vidas secas, o autor retrata a vida ordinária de sertanejos, diante da falta de água no sertão nordestino. Similarmente ao livro, verifica-se que uma sociedade que não possui acesso aos recursos hídricos, convive com precários serviços de suprimento às suas necessidades, como: falta de saneamento básico, tratamento de água e esgoto, manejo de resíduos, além da vulnerável proliferação de doença e pragas.Entretanto, enquanto não houver mudanças, viver do pior modo é algo sistêmico.

Portanto, é imprescindível que transformações sejam tomadas para a água ser um direito partilhado democraticamente. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Cidade planejar a reorganização espacial das cidades, a partir do plano diretor que auxilia no processo de desenvolvimento urbano, com o intuito de distribuir os serviços de saneamento básico tratamento de água e esgoto, equitativamente, entre os municípios. Além disso, o Ministério da Indústria pode criar uma nova política de trabalho, através da gestão de empreendedores nos setores industriais e agropecuários, para estipular a quantidade de água consumida por cada produção e evitar seu desperdício irracional no meio produtivo. Assim como acredita Jim Olson, será possível evitar a destruição humana, mas também, do meio ambiente.