Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 13/05/2019

No poema ´´Montanha Pulverizada``, o autor Carlos Drummond de Andrade retrata a sua preocupação com o meio ambiente, uma vez que essa obra estava inserida em um contexto de literatura modernista enaltecedora de temas sociais do país. Sob essa perspectiva, se esse escritor estivesse ambientado na literatura contemporânea, possivelmente teria abordado sobre a escassez hídrica no século XXI, que se configura um grave problema ao corpo social. Dentre os causadores dessa problemática, destacam-se a letargia social, bem como inoperância intencional do Estado.

Em primeiro plano, é importante analisar os efeitos da omissão cidadã na gestão hídrica. Segundo  o sociólogo Joelmir Beting, no Brasil, a sociedade é dotada por uma cultura da abundância, bem como da acomodação, responsável pelo notável desperdício da água. Percebe-se que o conceito abordado materializa-se em um levantamento realizado pelo Ministério das Cidades, ao afirmar que cerca de metade da água tratada é perdida na casa dos consumidores. Em decorrência disso, tendo em vista o caráter finito desse recurso, grande parte da sociedade padece não só com periódicas secas, como também com a crise do apagão, dado que a principal matriz brasileira é hidrelétrica.

Outrossim, cabe notar que, apesar de mais de 50 porcento do total de água brasileiro ser utilizado para serviços como agricultura e indústria, nota-se um diminuto esforço estatal em controlar, bem como fomentar mecanismos de reutilização de água para os setores supracitados,pois essa atitude afetaria a margem de lucro desses âmbitos financeiros . Tal conjuntura relaciona-se com a tese do sociólogo Karl Marx, o qual afirma que as instituições estatais tendem a favorecer as classes economicamente dominantes, com o intuito de maximizar seus rendimentos. Desse modo, a utilização desmedida da água por grandes empresas acaba exaurindo ainda mais as reservas hídricas do Brasil, o que favorece apenas os políticos que utilizam a estratégia da Indústria da Seca para conseguir mais verbas, incentivos fiscais e perdão de dívidas valendo-se da situação caótica de escassez.

A análise crítica dos fatos sociais reflete a urgência de medidas para combater a escassez hídrica. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação adicionar aulas de Ética e Cidadania não só ao Ensino Básico, mas também no Médio e Superior, mediante alterações nas diretrizes curriculares nacionais, a fim de que se desconstrua esse ideal de abundância que grande parte da população tem acerca das águas, bem como uma maior discussão sobre os impactos do desperdício desse recurso. Ademais é necessário que a Agênia Nacional das Águas em parceria com o Ministério do Meio Ambiente regule o volume de água destinado a fins demasiadamente exploratórios, como também fomente o utilização da água de reuso, afim de que haja uma utilização mais racional.