Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 09/05/2019

Na obra literária “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o autor retrata o drama de uma família no sertão nordestino que enfrentava o período de seca, vivendo uma situação miserável e com o mínimo recurso hídrico possível para se abastecerem. Assim como na ficção, a realidade da carência hídrica existe para milhões de pessoas, que na maioria dos casos, não possuem água sequer para o saneamento pessoal. Nesse contexto, não há dúvidas dos danos causados pela falta de água, que ocorre, muitas vezes por ausência de educação social e negligência governamental.

Primeiramente, deve-se pontuar o descaso dos governantes para a questão de gestão hídrica no Brasil, que por sinal é um dos maiores detentores mundiais desse recurso. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a potência seria uma habilidade ou característica que um ser traz consigo, mas que pode ser aprimorada até desenvolver seu potencial máximo e então se transformar em ato. Sendo assim, ao conceito aristotélico, o Brasil possui uma grande capacidade hídrica nata, que possibilitaria uma distribuição igualitária de água para todos, mas infelizmente o país ainda não dispôs de uma governança que fosse capaz de transformar todo essa competência hidráulica em realidade.

Outrossim, percebe-se que a população se faz o uso irresponsável da água, de forma que cada vez fique mais escassa. Consequentemente, os principais fatores para a escassez é o gasto de água ao tomar banho, escovar os dentes com a torneira aberta e até mesmo ao lavar a calçada, com isso, contribui para resultados nada satisfatórios. Relatórios da ONU alertam que se o padrão de consumo e poluição não mudar, em 2025, 1,8 bilhões de pessoas estarão vivendo em países ou regiões com absoluta escassez de água, e dois terços da população mundial poderia estar vivendo sobre estresse hídrico. Conforme Mahatma Gandhi o futuro dependerá daquilo que se faz no presente.

É evidente, portanto, os impactos da escassez de água na atualidade. Dessa forma é necessário que o Ministério do Meio Ambiente destine mais verbas para projetos de reaproveitamento e gestão hídrica e realize campanhas de conscientização na mídia e nas escolas em parceria com o Ministério da Educação, através de propagandas, palestras, cartilhas e atividades lúdicas, afim de promover uma compreensão social e amenização do problema. Consoante ao autor George Bernard Shaw, é impossível progredir sem mudança e aqueles que não mudam suas mentes não podem mudar mais nada, apenas com comportamentos e hábitos diferentes por parte dos governantes e da população será possível mudar essa triste realidade da carência de água e viver em um mundo melhor.