Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 08/05/2019
Graciliano Ramos, em sua obra “Vidas Secas”, retrata a existência de inúmeros brasileiros que sofrem com a ausência no planejamento adequado para o tratamento da água. Esse cenário, perdura hodiernamente quando a situação hídrica do Brasil, encontra-se em estado alarmante devido aos baixos níveis de água potável disponível. Assim, cabe analisar os fatores que agravam a escassez, como a negligencia no uso doméstico e a carência de uma planificação de água na agricultura, bem como propor medidas para cessar.
Em primeiro plano, evidencia-se historicamente o uso exacerbado da água para fins domésticos e higiênicos. Paralela a essa lógica, de acordo com a Organização das Nações Unidas, a média de consumo diário recomendado é de 110 litros por habitante em um dia, uma vez que estudos apontam que essa quantidade é suficiente para suprir as necessidades básicas de um individuo. Porém, essa estratégia não é mantida corretamente, quando segundo dados do Instituto Trata Brasil o consumo médio brasileiro é de 166,3 litros por habitante em um dia. Nessa perspectiva, a desinformação do individuo ajuda a perpetuar a escassez hídrica, quando utiliza-se a água potável para a limpeza de calçadas ou quintais regularmente ou até mesmo o hábito do chuveiro ou torneira ficar aberta quando no momento não está sendo usufruída.
Cabe salientar ainda, que de acordo com o relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil, a atividade agrícola é responsável pelo uso de 72% dos recursos hídricos utilizados. Dessa Forma, boa parte da água aplicada para produzir alimentos é perdida na evaporação, o que exige uma maior captação do recurso em rios e lagos. Análoga a essa ótica, a utilização de agrotóxicos pela agricultura também colabora para a contaminação da água em lençóis, por meio de agrotóxicos e outros produtos que afetam o padrão de qualidade desse bem precioso, diminuindo a disponibilidade de água, não apenas no meio rural, mas também nas cidades.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para minimizar o cenário presente no país. Assim, cabe ao Ministério do Meio Ambiente vinculado com as ferramentas midiáticas, promover campanhas públicas e comerciais de cunho educativo, respectivamente, sobre a importância da água e o seu uso coerente, com o intuito de promover uma consciência coletiva sobre a escassez do recurso hídrico, instruindo o indivíduo ao conhecimento de seu patrimônio. Outrossim, é essencial que o Ministério da Agricultura, atue na causa, aprimorando as técnicas de irrigação, como a de gotejamento, para o maior controle da questão hídrica, consumindo menos recursos e fornecendo melhores resultados em produtividade e qualidade.