Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 10/05/2019

Na obra literária “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é retratada a luta cotidiana de Fabiano pela sobrevivência e a constante fuga da seca, com o objetivo de encontrar água e se manter vivo. A escassez desse recurso hídrico tornou-se um obstáculo real e atemporal que assola a sociedade contemporânea, causando desigualdade social e inúmeras disputas a fim de obter tal recurso. Ir a origem desse problema é fundamental para entender a verdadeira forma de combate a esse sério mal social.

Em uma primeira análise, é importante ressaltar que a escassez de água está diretamente ligada a desigualdade social. Tal fato pode ser observado nas diferenças de consumo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, como alguns do continente africano, por exemplo, onde a população vive de forma precária, sem água para beber ou para realizar suas necessidades básicas. Em contrapartida, as nações mais ricas têm uma maior dominação desse recurso, o que deixa claro que o controle da água significa deter poder. Dessa forma, o bem comum é esquecido, quando, na verdade,  o altruísmo deveria se sobrepor ao egoísmo para o bem da sociedade, ideia defendida por Auguste Comte desde o século XIX.

É válido entender, ainda, que a falta de manejo e uso sustentável pode agravar consideravelmente a disponibilidade do recurso hídrico no mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas, 80% da água utilizada é devolvida ao ambiente sem nenhum tipo de tratamento, o que pode causar uma contaminação nos lençóis freáticos, inviabilizando outras atividades, como a irrigação, por exemplo, e também contaminando os rios, visto que, os aquíferos abastecem suas nascentes.

É imprescindível, portanto, medidas para reverter o cenário atual. Assim, o Poder Legislativo deve rever e atualizar as leis que tratam sobre os usos múltiplos desse recurso, por meio de aplicação de multas para indústrias e empresas que não devolverem a água de forma correta para o ambiente, a fim de diminuir a contaminação dos rios e promover a reutilização da água. Além disso, é necessário que a ONU, promova debates entre os países mais ricos para tentar redistribuir a água de forma mais igualitária entre esses países e nações mais necessitadas.