Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 10/05/2019

O centenário cantor Luiz Gonzaga retratava em suas músicas, em especial na canção ‘‘Asa Branca’’, a essência do povo sertanejo baseada na constante luta contra a seca que assolava, e ainda assola, a região Nordeste. Entretanto, embora as condições climáticas do semi-árido brasileiro contribuam para a existência de tal evento climático e ambiental, outras regiões do país também estão lutando  contra essa escassez hídrica tão canada pelo ‘‘Rei do Baião’’. Nesse viés, a carência da água provoca grandes impactos na sociedade,  causando um desequilíbrio no corpo social, o qual ocorre devido à negligência do uso hídrico pela sociedade, além de estar relacionado com o ideal capitalista.

De fato, a negligência social referente ao uso inconsciente do composto orgânico vital contribui para o aumento do estresse hídrico no país e no mundo. Nesse contexto, o filme Mad Max: Estrada da Fúria retrata, com um aspecto futurista, como será o mundo após o apocalipse que, diferentemente dos outros filmes de ficção apocalíptica, coloca a falta de água como o centro do enredo, refletindo que o uso indevido e inconsciente do recurso hídrico tornou o planeta escasso desse composto tão expressivo e abundante nos primórdios. Assim os artifícios audiovisuais demostram a realidade vivida por uma sociedade desacordada que usa indevidamente a água, justificando o seu uso excessivo através do ideal ilusório de infinidade desse composto.

Além disso, cabe salientar que as relações capitalistas também contribuem para a evolução do quadro de escassez hídrica, aumentando os seus impactos. Desse modo, percebe-se que o pensamento disseminado pelo sociólogo Karl Marx no século XIX ultrapassou séculos estando presente no século XXI, explicando a relação entre capitalismo e escassez hídrica. Nesse contexto, o capitalismo se sobrepôs à questões socioambientais, elevando o desperdício dos recursos naturais, entre eles a água, usados por indústrias para a fabricação dos mais diversos materiais. Assim sendo, pode-se afirmar que o desperdício da água não provém apenas da negligência social, visto que as indústrias favorecem a sua escassez ao visar o ideal capitalista.

Portanto, para que seja possível diminuir os impactos gerados pela escassez hídrica, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Governo, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, instituir por meio de políticas públicas voltadas ao consumo consciente, uma lei que puna os indivíduos e empresas que usarem indevidamente o recurso hídrico, aplicando multas nas contas de água residenciais e empresariais com base em um consumo mensal estipulado por profissionais ambientais, objetivando diminuir o consumo e o uso excessivo do composto orgânico vital.