Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 12/05/2019
A obra " Vidas secas “, escrita no século XX por Graciliano Ramos, retrata a vida de uma família nordestina, obrigada a atravessar o sertão em busca de água. No Brasil hodierno, os impactos da escassez de recursos hídricos não se restringem a uma região, afetando, por exemplo, a produção de energia elétrica, a agropecuária e o uso para saúde e bem-estar, em todo o território. Desse modo, é de fundamental relevância avaliar como o desenvolvimento econômico e o consumo dos indivíduos influenciam tal problemática e, assim, obter caminhos para combatê-la.
Em primeiro plano, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) cresceu 41% em termos globais, refletindo os grandes avanços sociais e econômicos. Contudo, segundo esse órgão, essas melhorias têm sido associadas à degradação ambiental, fato comprovado em nosso país pela crescente crise hídrica. Nesse sentido, o consumo excessivo de água pela agricultura e pelas indústrias - usada em larga escala para a produção, chamada água virtual - somado à poluição dos mananciais e ao desmatamento, frequentemente provocados por essas mesmas atividades, são fatores que diminuem a quantidade de água potável, impactando a população e o próprio crescimento do país.
Ademais, quando a escritora Emily Dickinson diz que “Pela sede, aprende-se a água”, é possível compreender que ao faltar água para atividades básicas, como para higiene e para cozinhar, a sociedade sente diretamente os impactos da escassez desse recurso. Contudo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) o consumo de água diário do brasileiro excede em 137 litros a média ideal, esse fato evidencia o enorme desperdício que ocorre nas residências. Por conseguinte, observa-se a frequência com que se tem feito necessário o rodízio de distribuição de água nos bairros de grandes cidades, abalando o bem-estar geral dos indivíduos, inconveniência que pode ser amenizada com o uso consciente.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa situação. Para tanto, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente aumente a fiscalização e a punição sobre atividades que degradem o meio ambiente - como o descarte de restos industriais em rios - e incentivos (redução nos impostos, como recompensa), para que assim se obtenha um melhor aproveitamento dos recursos hídricos pelo agronegócio e pelas indústrias. Além disso, é necessário que a Agência Nacional de Águas, em parceria com a mídia - tv e redes sociais - promovam campanhas de engajamento que visem conscientizar a população sobre a importância de economizar e aumentar a reutilização e a reciclagem, diminuindo a demanda por água virtual. Então esse recurso será preservado para as gerações futuras.