Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 12/05/2019
Tales de Mileto, fundador da Escola Jônica, afirmava ser a água o princípio fundamental de todas as coisas. Hoje, essa indispensável substância, mesmo que abundante, é mal distribuída e, com isso, algumas regiões sofrem com a insuficiência no abastecimento. Nesse âmbito, gargalos como renda e poluição contribuem para os principais efeitos dessa limitação: fome e proliferação de doenças.
O primeiro, sendo a água um recurso primordial para a produção de alimentos, fica explícito em regiões secas. Contudo, o fator geográfico, após a terceira revolução industrial, passou a ter valor secundário, visto a implantação de tecnologias como a de dessalinização da água do mar ou a captação de aquíferos subterrâneos. Porém, a concentração dos avanços tecnológicos com os que detém o poder aquisitivo, contribui para que ainda tenhamos fome e sede em áreas marginalizadas economicamente, como África Subsaariana.
Já o segundo acontece, normalmente, pelo descaso estatal no descumprimento de regras de saneamento e fiscalização. Pois o contato de pessoas com esgotos sem tratamento e lixões que poluem o solo, subsolo e mananciais são causas frequentes morbidade e mortalidade de humanos e outros animais. A esse descaso estrutural, podem-se somar, ainda, as catástrofes ambientais, como aconteceu em Mariana e Brumadinho, nas quais a poluição de rios e solo com metais pesados pode aumentar os números de casos de doenças, como o câncer. .
Portanto, fica claro perceber a interferência antrópica na disponibilidade de água. Desse modo, urge uma mudança de conduta dos que detém o poder do Estado, assim como da comunidade como um todo. O primeiro cumprindo as regras de esgotamento sanitário, como o funcionamento de ETAs e aterros sanitários, e disponibilizando tecnologias a serviço do abastecimento hídrico dos marginalizados. E o segundo pode fiscalizar e denunciar condutas que vão contra a sustentabilidade dessa substância tão importante.