Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 12/05/2019

Durante o período Pré-Colonial do Brasil, os escritores da metrópole retrataram de forma exuberante e idealizada a natureza do novo território. No entanto, o que tem permeado o cenário atual é a escassez de um recurso natural imprescindível à manutenção da vida: a água, fato que tem gerado sérios impactos tangentes à economia e às condições sociais.

Em primeiro plano, percebe-se o caráter essencial representado pelos recursos hídricos à economia do país. Segundo dados do IBGE, cerca de 60% do contingente aquífero é destinado ao setor agropecuário na irrigação de alimentos para exportação e consumo nacional, o que evidencia o sério risco da conservação de um histórico papel agrário no plano mundial, tendo em vista a grande pegada ecológica pela qual essa atividade é responsável. Além disso, a majoritária forma de obtenção de energia por meio de hidrelétricas ratifica a dependência por esse recurso e, por consequência, a fragilidade econômica frente ao seu possível esgotamento.

Outro aspecto a ser considerado é a precária estrutura no plano social, que potencializa os funestos efeitos do estresse hídrico. Quando o sociólogo Ulrich Beck postula que o mundo globalizado contemporâneo possui contradições e cria uma sociedade de risco, reitera o fato de que, em oposição ao crescente desenvolvimento tecnológico, milhões de pessoas ainda vivenciam a insalubridade da ausência estatal ao serem negligenciadas condições básicas de saneamento, no qual a distribuição de água inclui-se - como acontece principalmente nos estados da região Norte e Nordeste -.

É necessário, portanto, tomar medidas que atenuem os sérios impactos econômicos e sociais da escassez hídrica. A ANA (Agência Nacional da Água), deve fiscalizar as empresas do setor agrário, por meio da cobrança de um relatório anual de consumo médio de água, que obedecerá aos parâmetros preestabelecidos em lei criada pelo Legislativo, para que haja menos gasto nesse âmbito econômico. Ademais, cabe às Universidades, com verbas públicas, promover pesquisas que auxiliem os setores de energia e saneamento básico na obtenção de maneiras mais baratas de oferecer esses bens a todo o território, as quais serão efetivadas com o auxílio do governo. Assim, reduzir-se-á o risco social defendido pelo sociólogo moderno e a exuberância do passado não ficará apenas nos livros.