Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 12/05/2019

‘‘Nosso céu tem mais estrelas. Nossas várzeas têm mais flores. Nossos bosques têm mais vida. Nossas vidas mais amores’’. Os famigerados versos de Gonçalves Dias mostram um Brasil de beleza singular, exuberante e rico em recursos naturais, no entanto tal esplendor dificilmente consegue sair da poesia. Hodiernamente, a escassez de água envolve o país em um cenário de desigualdade e pobreza devido ao uso indiscriminado e à má distribuição hídrica.

Nesse contexto, estima-se que 13% da água doce do planeta esteja no Brasil, o qual também possui importantes reservatórios como o Guarani e Alter do Chão. Porém, nota-se um grande desequilíbrio no que tange ao acesso e aproveitamento dessas fontes em áreas áridas e semiáridas, sobretudo no Polígonos das Secas. Tal situação aprofunda os problemas socioeconômicos dessas regiões, pois compromete o plantio das safras, criação de animais e o uso da água para subsistência de forma ainda mais grave para os pequenos proprietários que não possuem condições para remediar essa calamidade.

Outrossim, a demasiada quantidade de água usada na irrigação das lavouras resulta na diminuição do nível das barragens e poços ao longo do ano, soma-se a isso a falta de reposição juntamente com os períodos de estiagem. Ademais, a contaminação pelo lançamento de agrotóxicos ou esgotos comprometem os mananciais ao provocar eutrofização em rios e lagos e poluição das águas subterrâneas. Logo, o uso intensivo para a agricultura e ainda o desperdício no meio residencial contribuem para acentuar a crise hídrica.

Destarte, é de suma importância o controle desse recurso natural a fim de promover uma justa distribuição e aproveitamento sustentável. Torna-se responsabilidade do governo a criação de mais projetos para mitigar as desigualdades no acesso à agua como por exemplo a já realizada transposição do rio São Francisco e também aumentar a fiscalização do consumo na iniciativa privada por meio da Agência Nacional das Águas.