Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 13/05/2019
O acesso irrestrito à água potável é algo inerente à sobrevivência do ser humano, entretanto, não é tratado de tal forma. Infelizmente, faz-se presente na atualidade não somente a escassez desse recurso hídrico, bem como facetas relacionadas ao seu uso e distribuição. Assim, conclui-se que o debate acerca dos impactos da exiguidade da água é imprescindível diante da sua relação com a atualidade.
A medicina atesta há anos a importância da água para os tecidos corpóreos, posto que essa constitui mais de 60% do organismo humano; quando atreladas à necessidade de higiene e alimentação, essas informações corroboram para o quão imprescindível o recurso hídrico é. Dessa forma, a adição do direito à água e ao esgotamento sanitário aos direitos humanos, em 2010, pela Assembleia Geral da ONU e o Conselho de Direitos Humanos, foi uma etapa lógica para o realce de sua relevância e o fato de que, infelizmente, muitos indivíduos não possuem acesso igualitário a esse bem. Segundo dados do World Bank, em toda a América Latina, 100 milhões de pessoas são desprovidas de acesso a saneamento básico. Tal índice torna-se contraditório e deixa margem para dúvidas, quando atesta-se que quase 31% da água doce do planeta está nessa região. Assim, conclui-se que o acesso à água potável é irregular, fazendo com que seu consumo seja, além de natural, político.
De acordo com dados expostos pela Agência Nacional das Águas, a Amazônia concentra 80% da disponibilidade de água no Brasil. Entretanto, a região Norte, bem como o Nordeste e outros territórios, como São Paulo, sofrem com a escassez hídrica. Essa escassez não só é decorrente da falta de água, mas também da má distribuição desse recurso: dependendo do município, até 60% da água tratada para consumo é perdida, principalmente por vazamentos nas tubulações. Tal situação denota um dos motivos para o acesso desigual, muito presenciado no país: a qualidade do saneamento básico em regiões carentes ou interioranas, quando esse existe, assim como a incapacidade de adequá-lo à grande população presente nos centros urbanos. Essa realidade é inadmissível e deve ser alterada, visto que a água também é um insumo industrial, sendo usada como matéria prima, na geração de energia, entre outros. Dessa maneira, percebe-se que sua ausência seria extremamente prejudicial para a sociedade.
Portanto, diante da problemática relacionada à disponibilidade de água, são necessárias medidas. No âmbito nacional, faz-se essencial que o Ministério do Desenvolvimento Regional distribua de forma mais eficiente verbas, bem como elabore projetos, para que as esferas municipais possam aprimorar o saneamento básico e a distribuição hídrica, a fim de que seja minimizado o desperdício de água. Desse modo, reduz-se uma das facetas do imbróglio hídrico, objetivando, no futuro, sua total erradicação.