Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 13/05/2019

No período em que ocorria a separação gradual entre mito e filosofia, os pré-socráticos se ocuparam da missão de desvendar qual seria o elemento constitutivo de todas as coisas, ou seja, a “arché”. Para Tales de Mileto era evidente que essa substância fundamental do universo era a água. Nesse sentido, é perceptível a importância atribuída a esse recurso natural pela humanidade desde a antiguidade. Porém, muitos são os desafios para garantir o acesso sustentável a ele no século XXI.

Em primeiro lugar, cabe pontuar que apesar de o saneamento básico garantir qualidade de vida à população e a preservação do meio ambiente, ele ainda não está presente em todo o Brasil. De acordo com o “Portal G1”, cerca de metade dos brasileiros não tem acesso ao esgotamento sanitário. Logo, as principais alternativas dessas pessoas são a utilização de fossas, as quais contaminam o lençol freático, ou o lançamento de dejetos diretamente nos rios. Isso implica na proliferação de doenças e na poluição de cursos d’água.

Ademais, o desmatamento da floresta amazônica enfraquece a formação dos “rios voadores”, os quais influenciam diretamente na dinâmica climática do país. Com a destruição da vegetação, o fenômeno de transpiração é reduzido, o que limita também a incidência de chuvas na porção centro-sul do Brasil. Segundo o jornal “O Globo”, estima-se que 47% da floresta, em sua porção brasileira, foram totalmente desmatados ou sofreram algum tipo de degradação. Nesse contexto, o risco de savanificação da floresta é real e o acesso a água é comprometido.

Infere-se, portanto, que providências estatais devem ser tomadas a fim de mitigar o quadro atual. Para assegurar o consumo sustentável da água potável, o Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com o das Cidades, deve priorizar investimentos em municípios que contem com pouco ou nenhum saneamento básico. Além disso, deve ampliar áreas de unidades de conservação da floresta amazônica com o objetivo de inibir ao máximo sua degradação, seja por desmatamento, seja por queimadas. Dessa forma, busca-se minimizar os impactos da escassez da água, um princípio fundamental apontado pelos filósofos naturalistas da Grécia Antiga.