Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 16/05/2019

Na obra “Vidas secas”, o autor Graciliano Ramos retrata o drama de uma família nordestina em busca de um bem de direito universal: A água. Fora do contexto literário, a realidade é a mesma, uma vez que é indubitável que ainda há empecilhos sociais no que concerne à escassez de água e seus impactos. Nesse sentido, a inação governamental em consonância com o mau uso dos recursos hídricos se manifestam como causas da manutenção do imbróglio no Brasil hodierno.

A priori, é preciso salientar que a inobservância governamental corrobora o impasse. Nessa perspectiva, Aristóteles, filósofo grego, defende na obra “Ética à Nicômaco”, que a política deveria ser articulada pelos homens à fim de se obter o equilíbrio social e o bem comum. Todavia, é notório, que o Brasil rompe com o princípio do pensador no que tange à escassez dos recursos hidricos. Sob esse viés, evidencia-se o descaso Estatal pela carência de políticas publicas, como campanhas publicitárias e leis que visam mitigar os impactos causados pelo uso indevido da água. Sendo assim, é substancial reverter esse nefasto cenário de desdém por parte do Poder Público.

Ademais, o mau uso doméstico e industrial da água colabora para que o revés se enraize no país. Segundo Émile Durkhiem, sociólogo francês, fato social é toda maneira coletiva de pensar e agir dotado de coercitividade e exterioridade. Asssim sendo, é incontrovertível que o uso inadequado dos recursos hídricos nos setores indústriais, em especial, a agricultura e o uso doesméstico se comportam como fato social no Brasil, visto que transcede gerações. Por conseguinte, perpetua-se impactos sociais e ambientais, sobretudo, nas regiões semiáridas do país.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas na resolução do impasse. Destarte, o governo, através dos Ministérios da Educação e Meio Ambiente, deve promover o debate da questão nas escolas públicas, por meio de palestras e campanhas publicitárias, com profissionais do meio ambiente e auxílio de cartilhas educativas, voltadas a toda comunidade escolar. No intuito de, aos poucos, reeducar a sociedade quanto ao consumo eficiente e consciente da água e educar a nova geração de forma a evitar a perpetuação do impasse. Assim, o drama retratado por Graciliano Ramos deixaria de ser uma triste realidade no Brasil.