Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 05/09/2019

O livro “O Quinze” de Rachel de Queiroz retrata a seca de 1915 com extraordinária fidelidade à severidade desse problema e seu impacto social –pobreza, fome, exílio, morte. Nesse sentido, observa-se que, mesmo tendo se passado mais de um século, essa questão ainda permanece na sociedade, especialmente no que diz respeito ao mal uso desse recurso, gerando preocupação acerca da escassez de água. Dessa maneira, deve-se analisar essa situação sob uma óptica econômica e social.

Mormente, ressalta-se que é muito comum a divulgação de medidas de conscientização da população sobre o uso dos recursos hídricos para evitar o desperdício. Contudo, por mais importante que sejam, é importante destacar que segundo o Fundo das Nações Unidas (FAO), o setor agropecuário é responsável por 61,7% da utilização de água, no Brasil, e que, metade dela é desperdiçada devido a irrigações mal executadas e falta de controle dos agricultores. Dessa forma, infere-se que, a falta de exposição desse fato pela mídia evidencia despreocupação ambiental no que tange ao maior setor econômico do país, em uma atitude vergonhosa de isenção de responsabilidade.

Outrossim, avalia-se que os seres vivos dependem da água para a manutenção da vida e, em virtude disso, o Estatuto das Águas classifica-a como um bem público, além de assegurar seu direito a todos igualmente. Contudo, o próprio Estado entra em desacordo com essa norma no momento em que polui rios e lagos com dejetos de esgotos, aprova licitações de obras com grande impacto ambiental e desmata as matas ciliares, já que tais atos corroboram a escassez desse bem e privam parte da população dessa prerrogativa. Logo, está claro que essa situação continuará a acontecer enquanto o Poder Público não agir de acordo com suas leis, sendo imprescindível a necessidade de intervenção.

Demais, é evidente que o tripé economia, política e sociedade são os maiores responsáveis pela escassez de água no país, o que precisa ser urgentemente combatido. A princípio, é preciso que o Ministério da Agricultura junto ao Ministério do Meio Ambiente criem um projeto de educação aos agricultores acerca do bom remanejamento da água, o que ocorrerá com o auxílio de secretários do meio ambiente de cada município com grande incidência de atividade agropecuária, os quais deverão visitar as fazendas e dar pequenas palestras educativas, para que seja reduzido o desperdício e seja feito o uso sustentável desse recurso. Ademais, é preciso que o Ministério da Justiça seja mais rígido e ativo em suas legislações, por meio da aplicação de multas e penas severas para as prefeituras e empresas que cometam impactos ambientais graves, fazendo uso de seu poder sobre tais questões, pois apenas assim os recursos hídricos estarão protegidos, o que ocorrerá por meio de maior investimento em fiscais e operações policiais nessa área.