Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 05/06/2019

Na psique coletiva da classe média, é comum, ao se ponderar sobre a escassez hídrica, pensar em um futuro distantes e em hábitos para economizar água, como não demorar muito no chuveiro. Entretanto, a falta d’água potável já é um problema de grande escala, que vem trazendo um grande número de óbitos intermediados por doenças epidêmicas, que apenas não evitadas por conta de uma ineficiência estatal para com as populações mais carentes do país.

O Ranking do Saneamento de 2017, do Instituto Trata Brasil, aponta que Ananindeua, Pará, é o município de menor atendimento de água, com 28.81% e, consequentemente, também é o pior no Brasil em quesito de água potável consumida. Não coincidentemente, de acordo com o Ministério de Saúde, sua região é a maior portadora de fatais doenças extremamente negligenciadas. Essas infecções, conforme os dados da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), estão todas relacionadas a má hábitos higiênicos e a contaminação d’água, recebendo o título de extremamente negligenciadas por não serem alvo de pesquisa no mercado internacional, tendo então pouco ou nenhum método de profilaxia farmacêutica e, consequentemente, alto índice de fatalidade.

Todavia, em distonia com tal cenário, é notório um desconhecimento dessa crise epidemiológica e hídrica nas outras regiões do país, o que pode ser observado na ausência de reconhecimento do fato que esse ano se comemora 110 anos de descoberta da doença de Chagas. Assim, esta ignorância é perigosa, podendo possibilitar mais facilmente uma crescente inter-regional epidêmica, pois, apesar de algumas altas colocações no ranking de saneamento, nenhum estado do país tem índices perfeitos de saneamento. Desta forma, pessoas consomem água contaminada em todo o território brasileiro.

Destarte, é necessário que o Estado invista mais em saneamento básico e educação sanitária. Indubitavelmente, com um maior investimento na melhoria do saneamento em áreas como Ananindeua, vá ajudar. Porém, também é importante criar programas de conscientização, preferencialmente pelo Sistema Único de Saúde visto que suas clínicas da família tem um maior diálogo com a população mais carente, sobre a higiene básica, desconstruindo os má hábitos que podem ser criados culturalmente ao se viver numa município com pouco mais de um quarto da área tem esgotamento.