Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 11/06/2019

“Nunca, meus amigos, fiquem viciados em água. Vocês sentirão muito a sua falta”. No filme Mad Max, cenário pós apocalíptico de quase extinção da humanidade, o vilão Joe ao fazer um discurso ao seu povo, aconselha-os a não ficarem viciados em água, pois naquele cenário a água era um recurso raro no qual somente os fortes e poderosos tinham acesso. Fora da ficção, é fato que a escassez desse bem hídrico se tornou um problema atemporal, sendo necessário analisar o atual panorama e suas consequências nas esferas sociais e econômicas.

Inicialmente, é importante destacar que a economia é um fator que corrobora fortemente para a escassez de água. Decerto, a chamada “água virtual”, quantidade líquida consumida para a fabricação de produtos, como por exemplo, a utilização de 69% do volume de água retirado dos mananciais é destinada as atividades agropecuárias no Brasil, de acordo com o professor de Engenharia Civil e Ambiental da UnB, Demetrios Christofidis. Neste sentido, intuímos que o desperdício desse composto inorgânico não provém unicamente dos descuidos dos cidadãos, visto que as indústrias favorecem sua carência, ao visar a promoção de lucros comerciais do sistema de produção capitalista.

Outrossim, apesar de o Brasil ser a maior potência hídrica do planeta, não está isento de sofrer com crises de abastecimentos. Nessa perspectiva, o reservatório cantareira, localizado na cidade de São Paulo, que abastece mais de 5 milhões de habitantes, registou um dos piores níveis da história, devido à falta de chuvas na região. Entretanto, esta escassez não está tão somente relacionada a questões meteorológicas, mas, como também, a questões ambientais, uma vez, que a sociedade não tem a real noção quanto a finitude deste recurso. Pois, em regiões onde a água tem maior disponibilidade ocorre a ‘‘política do desperdício’’, onde esta, é tratada erroneamente como um bem infinito.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar esse problema. Para tanto, é mister uma parceria entre governo e mídia, na qual essa, por meio de propagandas com divulgação de dados, em programas televisivos como fantástico, será responsável por conscientizar a sociedade sobre todos os problemas decorridos do desperdício exacerbado de água, transformando-a, assim, em um agente ativo na busca pelo crescimento sustentável e consumo consciente. Somado a isso, o Estado deve através da Agência Nacional de Águas (ANA) tratar as águas de esgotos de modo que essa possa ser reutilizem de forma sustentável pelas indústrias e, desse modo, conter os gastos do consumo virtual. Dessa maneira, será possível crescer economicamente sem danos colaterais.