Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 25/06/2019
Graciliano Ramos,em sua obra Vidas Secas,busca evidenciar,por meio da história de Fabiano,a luta pela sobrevivência diante da seca no sertão nordestino.Entretanto, mesmo após anos de sua publicação,o livro mostra-se atemporal,visto que retrata um dos problemas ainda marcantes do século XXI:a escassez hídrica.Nesse sentido,a falta de água está relacionada ao consumismo e à falta de infraestrutura adequada para gerir esse recurso.Dessa forma,é preciso discutir os aspectos inerentes à questão, em prol do bem estar coletivo.
Em primeiro plano, a sociedade contemporânea,referida como sociedade de consumo,é marcada pelo consumismo incentivado pelo sistema capitalista.Nesse sentido, o conceito de água virtual refere-se ao volume de água utilizado na produção de qualquer bem ou produto,por exemplo,para fabricar uma calça jeans são necessários 1800 litros de água.No entanto,a população não recebe esse tipo de informação,já que o capitalismo visa o lucro e é mais benéfico responsabilizar os cidadãos pela falta de água devido ao seu desperdício nas residências,do que alterar o alto gasto na produção industrial,além de esclarecer os impactos dos hábitos de consumo populacional.Acerca disso,o filósofo Habermas conceitua a ação comunicativa:capacidade de uma pessoa defender seus interesses de acordo com o melhor para a comunidade,o que demanda ampla informação.Assim,caso os sujeitos não tenham conhecimento da realidade na qual estão inseridos,serão incapazes de lutar por melhorias,no caso,a economia de água pelas indústrias e o bom senso de diminuir o consumo.
Ademais,a falta de infraestrutura na gestão da água contribui para a sua escassez.No Brasil,segundo relatório do Ministério das Cidades,cerca de 41% da água tratada no país é desperdiçada.Isso sucede de falhas técnicas nas tubulações das cidades e, sobretudo,do elevado desperdício na agricultura,setor que,em razão da irrigação,muitas vezes inadequada,é responsável pelo maior consumo de água em diversos países.Dessa forma,a falta de água devido às questões abordadas,compromete social e economicamente a população,já que interfere no abastecimento de casas, de indústrias e na distribuição de luz, muitas vezes dependente de hidrelétricas que necessitam da água.
Cabe ao Governo Federal,portanto,priorizar medidas para minimizar essa problemática.Para tanto,é preciso investir em obras de alcance municipal que visem economizar água,por meio da regulação da água de reuso,água proveniente do banho,da fabricação industrial e dos tubos de esgoto,imprópria para o consumo humano mas que pode ser usada na agricultura e em partes do processo industrial, a fim de diminuir a captação desse recuso na natureza,o que economiza a água potável e minimiza riscos de período de seca.Só assim a realidade narrada por Graciliano poderá ser enfrentada.