Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 30/07/2019

Segundo o filósofo David Hume: as ocorrências do mundo atual são consequências mecânicas de eventos precedentes. Ou seja, crises atuais - ecológicas, econômicas ou políticas - são decorrentes de decisões e ações passadas. Nesse ponto de vista, é pertinente observar que a escassez de água no século XXI tem seus impactos resultantes de más escolhas. Logo, é necessário que essa problemática seja combatida, seja pela perspectiva humana, seja pelo enfoque social.

Em relação ao primeiro viés, cabe destacar que o ser humano não consegue ter uma expectação futura. Para elucidar essa ideia, é válido remeter ao que diz o filósofo Thomas Hobbes, em seu livro “O Leviatã”. Consoante o teórico, o estado de tristeza devido à convicção da falta de poder é chamado de “desalento”. É possível, então, estabelecer uma infeliz ligação entre a teoria e o que ocorre na prática: em países em desenvolvimento, 80% das mortes e enfermidades estão relacionadas à falta de água, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Logo, essa realidade de impotência cria o estado de desalento, que bloqueia qualquer expectativa de desenvolvimento e prosperidade.

A respeito do segundo dado, é relevante mencionar que o direito à água potável já é garantido por lei em diversos países. Contudo, é desanimador notar que tal diretriz não dá sinais de plena execução, como mostra, a título de exemplo, a necessidade de moradores do sertão nordestino brasileiro terem que comprar água de carros pipa. Lamentavelmente, essa situação é vista como uma oportunidade para políticos conseguirem verbas e incentivos fiscais para projetos que não serão concretizados, é a chamada “indústria da seca”. Portanto, a seca tem impactos diretos na dinâmica das sociedades. Diante disso, ratifica-se a necessidade de as normas não se transformarem em letra morta, sob pena de - perigosamente - confirmar-se o que já propunha Dante Alighieri, em “A Divina Comédia”: “as leis existem, mas quem as aplica?”.

Em suma, é urgente pensar em uma forma de enfrentar a problemática. Para isso, a mídia - por ter uma grande influência na sociedade - deve trazer o assunto da escassez de água à tona com mais regularidade, para ao menos incitar uma reflexão por parte dos telespectadores a respeito de suas ações para a preservação desse patrimônio. Isso pode ser feito por meio dos tradicionais canais de comunicação: reportagens em jornais, filmes sobre o assunto e até programas que debatam a problemática, ou por meio das novas tecnologias de informação: matérias em sites e blogs, além de anúncios nas redes sociais. Isso sendo feito, consequentemente, com a finalidade de criar uma consciência coletiva dos impactos que a escassez de água pode ocasionar, como também de mostrar comportamentos que diminuam as consequências do problema.