Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 23/07/2019

Na obra literária “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é perceptível o contínuo anseio pela sobrevivência humana, a fim de obter um direito universal inquestionável: a água. A escassez desse bem hídrico tornou-se um problema atemporal e aflige a sociedade contemporânea à medida que sua demanda e consumo aumentam. Dessa forma, urge que medidas sejam tomadas para minimizar o quadro atual e evitar a desigualdade na obtenção de tal recurso.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, um dos maiores problemas enfrentados referente a crise hídrica é o excessivo desperdício desse bem natural. Setores como o agronegócio, mineração e de geração de energia através de combustíveis fósseis não só fazem uso de grandes quantidades de água limpa em suas operações, como não raro eliminam efluentes tóxicos que contaminam rios e reservatórios subterrâneos. Nesse sentido, alinhado a pouca fiscalização, é inegável o fato da participação do Estado no que se refere ao controle desse bem hídrico tão importante.

Por conseguinte, presencia-se as consequências dessa crise hídrica: ao comprometer a disponibilidade hídrica, a desertificação afeta não só o consumo de água potável, como também reduz a produtividade agrícola, ameaçando a segurança alimentar. Outra implicação da seca facilmente negligenciada é o impacto cíclico sobre o fornecimento de energia. Assim, a população não só tem de pagar mais pela eletricidade utilizada em suas casas, como também vê a pouca água que lhes resta ser desperdiçada no processo de geração de uma energia mais cara e mais poluente. Para o filósofo Zygmunt Bauman, a lógica hipercapitalista subverteu o sentimento empático, o que causou, por consequência, menos afeto nas relações sociais. Se continuar nesse ritmo de desperdício, às próximos gerações irão sofrer as consequências danosas da falta de água, o que mostra a falta de empatia em relação às gerações futuras.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Em primeiro lugar é necessário que haja uma conscientização das elites governantes e da população. A sociedade precisa sair da passividade e tomar atitudes. Essa conscientização poderá ser feita pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) através de palestras nas escolas, propagandas nas mídias sociais e em canais televisivos, mostrando os danos causados pelo desperdício de água. Paralelamente, concerne que haja uma maior fiscalização por parte do Estado, para que vigie indústrias que eliminam efluentes tóxicos em rios e reservatórios, protegendo esse recurso hídrico da ação antrópica destrutiva. Além dessas ações, é necessário tratar as águas de esgotos a fim de que as indústrias reutilizem de forma sustentável. Por fim, com essas medidas, a distopia apresentada em “Vidas Secas” permanecerá apenas como ficção.