Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 12/08/2019
No século XXI, lida-se com o cenário de escassez hídrica, a qual tem sido amplificada por adversidades ambientais e más administrações públicas e individuais da água. Desse modo, impactos sociais e econômicos são recorrentes, comprometendo a saúde da população e dos ecossistemas, bem como o abastecimento das cidades e o suprimento agrícola e elétrico de algumas regiões, conjuntura nefasta que precisa ser contornada para a garantia do bem-estar atual e futuro de todo o globo.
Com efeito, a limitação hídrica do atual século atinge, sobretudo, a população, que tem a sua rotina alterada pela falta d’água ou dos produtos que a tornam indispensável, como os itens do setor agrícola, que é responsável, segundo dados da Agência Nacional das Águas (ANA), por cerca de 70% da demanda de água no Brasil. Nesse contexto, o deficitário empenho educacional em semear, na sociedade e em ambientes industriais, hábitos de racionamento hídrico e de não poluição de fontes e mananciais tem contribuído para dilatar a escassez hídrica e suas consequências, tais como a obtenção de doenças relacionadas ao consumo de água insalubre, o que causa cerca de 3,5 milhões de mortes por ano, de acordo com dados do Conselho Mundial da Água.
Ademais, em 1930, na obra “O Quinze”, a escritora Rachel de Queiroz já retratava as dificuldades enfrentadas por Chico Bento e sua família durante a grande seca de 1915, que cercou de miséria e fome o nordeste brasileiro. Mais de 100 anos após a calamidade, a crise hídrica ainda é um tópico atual, possuindo origens não só ambientais, mas também políticas, como a “indústria da seca”, que lucra com o corrupto gerenciamento da verba pública destinada à segurança hídrica do país. Assim, boa parte da população convive com a ausência de requisitos basilares para preservar sua saúde, como água potável e saneamento básico, por conta da desassistência do Poder Público, que camufla com a temática da estiagem a sua negligência em investir em serviços públicos primários.
Portanto, com o fito de arrefecer os impactos advindos do déficit hídrico hodierno, é fulcral que os setores educacionais de cada país, em parceria com as mídias, socialmente engajadas, por meio de palestras e aulas de educação ambiental em escolas e universidades, bem como pela disseminação de filmes, séries e publicidades por parte das grandes mídias, informem acerca da necessidade de se ver a água potável como recurso finito e de conter a poluição e o desperdício. Ademais, é essencial que o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União(CGU) fiscalize e puna, por meio de agências específicas para o caso, os responsáveis por oxigenar a indústria da seca, com o intuito de suprir as necessidades da grande massa. Além disso, é vital que a ANA garanta o tratamento e a distribuição da água em todo o país, oferecendo saneamento ao povo, prevenindo, assim, patologias.