Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 04/09/2019
Na Antiguidade Oriental, os povos fenícios eram conhecidos por serem talassocráticos, ou seja, avançados na navegação. Isso deve-se ao fato de não terem água doce em abundância -só a do mar-, o que impossibilitava o desenvolvimento da agricultura. Tal condição de possuir esse líquido em grande quantia, mas não como recurso, é semelhante à época atual no Brasil. Logo, problemas como a falta de saneamento básico e a fraca preservação ambiental corroboram com a escassez de água no país.
Em primeiro plano, o sistema de saneamento básico não contempla toda a população brasileira, de modo que não há tratamento de água e esgoto em todos os locais. Conforme afirmava o sociólogo Comte, a ordem é o desenvolvimento do progresso, logo o planejamento seguido da ação garante o sucesso da meta a ser atingida. Desse modo, a gestão precária do saneamento, junto com o desordenado crescimento urbano, são fatores que reduzem o acesso à água como recurso para parte da sociedade. Como consequência disso, além da escassez do líquido, a taxa de reaproveitamento, por meio de tratamento de esgoto, é baixa, o que contribui ainda mais para a poluição de fontes, como rios.
Ademais, problemas ambientais, como desmatamento e queimadas, colaboram, por exemplo, com o deficit de chuvas, o que atinge o abastecimento dos reservatórios de água. Segundo a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, é direito dos cidadãos usufruírem de um ambiente ecologicamente equilibrado e é dever dos Poderes Públicos preservá-lo. Desse modo, a falta de fiscalização em regiões como a floresta amazônica e outras vegetações locais auxiliam com esse impasse. Em decorrência disso, observa-se, por exemplo, a questão das secas no nordeste do Brasil, a qual acomete o Rio São Francisco que mantém muitas famílias e a agropecuária regional.
Assim sendo, é necessário a tomada de medidas capazes de suprir o saneamento básico no país e de preservar o meio ambiente. Portanto, cabe ao Poder Executivo Federal investir na gestão de tratamento de água e esgoto. Essa ação deve ser feita por meio do direcionamento de verbas governamentais ao Poder Executivo Municipal -uma vez que é responsável pelas construções de obras-, com o fim de abranger o máximo da sociedade com esse direito e redistribuir o líquido tratado. Tange, também, ao Ministério do Meio Ambiente promover projetos de reflorestamento e garantir proteção às florestas. Tal ato deve ser realizado via repasse de verba para organizações ambientais que realizam plantios e fiscalizam essas regiões, com o fito de garantir a preservação da vegetação e, consequentemente, das chuvas. Logo, com essas providências a escassez de água será atenuada.