Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 13/09/2019
“Tudo o que se passa no onde vivemos é em nós que se passa”, eternizou Bernardo Soares, heterônimo do escritor Fernando Pessoa em O Livro do Desassossego. Na senda dessa reflexão, ao compreender os problemas que permeiam o Brasil como responsabilidade de todos os cidadãos, torna-se urgente o debate sobre um grave problema hodierno: os impactos da escassez de água. Logo, expor o acentuamento das desigualdades sociais e a estagnação de atividades econômicas como as principais faces de tal impacto é imprescindível para a busca de possíveis soluções.
Em primeiro plano, é de suma importância a análise do impasse por um prisma socioeconômico. Segundo o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. Desta estimativa, é fato que países subdesenvolvidos integram grande percentagem, e, por consequência, são os mais suscetíveis a problemas desencadeados por tal escassez, como a privação de necessidades básicas de higiene à falta de alimentos. Portanto, é nítido que tal realidade é pérfida ao Artigo 225 da Constituição Federal, que garante o usufruto a todos ao meio ambiente equilibrado, de uso comum e essencial à sadia qualidade de vida da população.
De outra parte, debater sobre tal falta é não negligenciar sua gravidade. Desde o agravamento da crise hídrica no país em 2014, economistas e pesquisadores têm se atentado sobre os terríveis danos que podem ser desencadeados. Como principais exemplos, a baixa na produção industrial, dificuldades nos setores de transporte, sobretudo no modal rodoviário, principal do país, e o desemprego conjuntural: consequências nefastas para a sociedade. Portanto, consoante o pensamento de Guimarães Rosa de que um galo sozinho não tece uma manhã, são urgentes medidas do Poder Público e da sociedade civil para a redução dos impactos supracitados.
Dado o exposto, é dever do Governo Federal, poder máximo do agregado nacional, medidas que visem a diminuição do consumo de água em empresas do ramo industrial e no agronegócio. Isso pode ser feito por meio do estabelecimento de um quantitativo máximo como meta, e, uma vez alcançada, promover a concessão de incentivos fiscais. Ademais, é de extremo valor que o corpo social se mobilize para exigir às autoridades competentes a distribuição de água em locais com baixos índices socioeconômicos, bem como a requerer medidas de saneamento básico e controle da qualidade hídrica em tais locais. Para tal, devem realizar protestos, mobilizações e passeatas, a fim de gerar uma mudança de comportamento dos líderes democraticamente eleitos. Tomadas essas medidas, enfim, a responsabilidade geral, como eternizou Pessoa, uma vez que assumida, gerará frutos duradouros.