Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 09/09/2019

Na obra “Vidas Secas”, Graciliano Ramos retrata a vida de Fabiano e sua família, retirantes nordestinos que sofrem pela falta de água em sua região. Similarmente à ficção, a sociedade já resiste aos impactos causados pela escassez desse bem natural. Além de mazelas relacionadas à produção e alimentação, a falta de água têm influência sobre problemas de saúde pública. Dessa forma, é necessário compreender o quadro atual e buscar formas de revertê-lo.

Primeiramente, a demanda de água para a produção de mercadorias vai além do que os indivíduos estão cientes. O conceito de “água virtual” refere-se a quantidade de H2O utilizada de forma direta ou indireta na confecção de algum bem. Nesse sentido, há falta de consciência sobre as implicações do consumo excessivo na escassez desse recurso natural. Em adição, a qualidade de vida está condicionada à disponibilidade de água. Prova disso, é que há maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) em países com maior disposição.

Ademais, a falta de água pode ser considerada um problema de saúde pública pois compromete o saneamento básico. A ausência de abastecimento adequado afeta a higiene das pessoas e pode ser estopim para muitas doenças relacionadas à má qualidade hídrica, como ascaridíase. Desidratação e imunidade baixa também podem ser causadas por isso. Outrossim, a Constituição de 1988 garante a saúde e água potável como direitos. Ao negligenciar tais coisas, o Estado fere esta carta.

Depreende-se, portanto, que os veículos midiáticos, em parceria com ONGs, devem informar sobre formas de economizar água e minimizar seu consumo por meio de propagandas e palestras, a fim de incentivar o uso consciente. É imprescindível que o Ministério da Saúde alerte sobre os riscos e oriente famílias que já sofrem com a escassez. Apenas com a integração de toda a comunidade será possível acabar com esse problema e tornar a história de Fabiano não mais uma realidade brasileira.