Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 11/09/2019

O sociólogo Durkheim, postulou o termo “anomia social” para se referir ao estado de caos na sociedade, o qual se aplica à questão da escassez de água no século XXI. Nesse sentido, é notório que a má gestão e despreocupação com o uso da água, principalmente na agricultura, corroboram para o recrudescimento dessa mazela. Ademais, vale ressaltar que essa escassez também é prejudicial à população, pois agrava a disparidade social. Por isso, soluções para essa situação são essenciais.

Nesse contexto agrícola, a Agência Nacional de Águas (ANA), confirma que cerca de 70% da água gasta no Brasil é utilizada na agricultura. Tal dado reitera a necessidade de analisar o gerenciamento desse recurso no seguimento agropecuário, já que, não raro, o modelo de irrigação e produção animal consome, desperdiça e contamina os rios na mesma proporção. Desse modo, é imprescindível atentar-se ao seu uso, que vai desde a produção até chegar ao destinatário. Haja vista que nesse percurso há um exacerbado gasto de água que não se vê, a chamada água virtual, assim, auxilia na redução da disponibilidade desse elemento para a população, que é diretamente prejudicada por meio do encarecimento dos alimentos, pois a falta desse elemento irá promover o aumento no custo de produção que será refletido para o consumidor. Assim, mudar esse quadro é fundamental.

Nesse viés de prejuízo aos cidadãos, cabe salientar que a discrepância social aumenta, visto que a distribuição desse recurso é desigual no país, por isso, ainda consoante a ANA, dados mostram que o Norte da nação é a região com maior disponibilidade e pior distribuição de água, seja para o consumo ou melhoria social, a exemplo do saneamento básico. Desse modo, percebe-se que essa realidade vai de encontro ao direito intrínseco na Constituição Cidadã, de promoção do bem estar social. Logo, a falta de água faz com que populações carentes sejam as mais prejudicadas com essa problemática ambiental, uma vez que com a diminuição desse elemento, os municípios não oferecerão melhor captação e tratamento de água e esgoto, com isso, engrandece a marginalização social.

Portanto, faz-se necessário que o Estado atue por meio dos Ministérios da Educação (MEC), Ambiente (MMA) e Agricultura (MA), ao fomentar nas universidades pesquisas para a melhor utilização desse recurso em áreas agrícolas e assim evitar o uso irregular desse elemento natural, somado a isso, o MMA deve fiscalizar com maior periodicidade esses locais, a fim de orientar e multar, se preciso, as fazendas que cometerem irregularidades. Em adição, o MEC deve capacitar os profissionais municipais por intermédio de palestras e discussões com especialistas na área para o melhor gerenciamento da água nas cidades, assim, será possível legitimar o direito da população e , paulatinamente, conseguir-se-á diminuir a escassez de agua e seus impactos.